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Geral O atrito entre o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o embaixador chinês no Brasil gerou 1 milhão e 700 mil postagens no Twitter

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Deputado federal Eduardo Bolsonaro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O atrito entre o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, gerou 1,7 milhão de postagens no Twitter — mais de 50% das interações eram de rejeição às postagens do filho do presidente Jair Bolsonaro, mostra o levantamento feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV. O estudo levou em conta as publicações feitas entre as 18h de quarta-feira (18), dia em que parlamentar usou a rede social para responsabilizar o gigante asiático pela pandemia do novo coronavírus, e as 13h desta sexta-feira (20).

O filho do presidente usou a rede social para culpar a China, comparando o caso ao desastre de Chernobyl e dizendo que o país asiático escondeu o vírus do resto do mundo. Em seguida, tanto Yang quanto o perfil oficial da embaixada chinesa responderam ao deputado, repudiando a acusação. O embate criou uma crise diplomática entre os dois países e causou preocupação entre membros do governo, já que a China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

Segundo a coleta de dados da FGV DAPP, muitos perfis atuaram em grupos e minigrupos para discutir a situação diplomática. Três deles se destacaram: o formado por apoiadores do presidente, que agregou 36% das interações; o que reuniu os perfis oficiais da embaixada, do embaixador, da imprensa tradicional e os de figuras públicas que repudiaram o tuíte de Eduardo, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com 33%; e o terceiro, menor, com 12%, formado por perfis comuns e que também foram críticos ao deputado.

Guerra das hashtags

Apesar de a maioria ter se posicionado a favor da China e contra o parlamentar, é possível notar pelo estudo que a base de apoio de Bolsonaro se engajou para defender Eduardo na rede social, onde começou a troca de farpas. O foco central desse grupo foi rejeitar o comunismo e colocá-lo como vetor da propagação mundial da Covid-19.

A hashtag #víruschinês — como é chamado o novo coronavírus pelo presidente americano, Donald Trump — foi usada pelo grupo e apareceu em um total de 198 mil tuítes. Esse volume não foi alcançado esta semana por nenhuma hashtag pró-Bolsonaro articulada para fomentar os “panelaços” em apoio ao governo.

Já para explicar o impacto negativo da postagem de Eduardo, a palavra “bananinha”, usada pelo vice-presidente Hamilton Mourão para defender o deputado, apareceu em 43 mil tuítes — incluindo a hashtag irônica #EduardoBananinha.

Segundo o levantamento, a base a favor do presidente vem perdendo espaço na discussão geral sobre a pandemia. Desde o começo da semana, quando se intensificou no Brasil a discussão geral sobre o novo coronavírus, grupos pró-governo não responderam por mais de 15% das interações totais e, na quinta, reuniram somente 8% das mais de 5 milhões de postagens sobre o vírus no Brasil.

No tuíte, Eduardo comparou a pandemia da Covid-19 com o desastre na usina nuclear soviética de Chernobyl, em 1986.

Com a resposta da Embaixada da China e do embaixador Yang Wanming, por volta das 22h de quarta, iniciou-se rápida organização de grupos de oposição, da direita à esquerda, em repúdio ao comentário do parlamentar. Nesse momento, houve o primeiro pico de engajamento sobre o assunto no Twitter, com média superior a 1,4 mil tuítes por minuto. Ao longo do fim da noite de quarta e da manhã de quinta-feira, autoridades, políticos e influenciadores continuaram a se posicionar e a mobilizar impacto — sobretudo Maia, principal influenciador político dentre os grupos que manifestaram repúdio à nota na rede social.

Na manhã de quinta, após a rápida repercussão negativa em relação a Eduardo, a base pró-governo voltou-se às redes para defendê-lo e reiterar as críticas aos chineses. Quase todos os principais influenciadores do eixo alinhado a Olavo de Carvalho fizeram postagens pela manhã, assim como blogueiros alinhados a Bolsonaro e parlamentares da direita. Movimento semelhante, mas de menor fôlego, foi visto à esquerda, a partir de mensagens feita pela ex-presidente Dilma Rousseff.

O último pico de interações sobre o assunto ocorre a partir das 21h de quinta e reflete a polarização no engajamento associado ao tema — desta vez, porém, com foco maior no chanceler Ernesto Araújo, outro a se mobilizar para defender Eduardo, e em interações a partir de artigos e notícias da imprensa profissional.

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