Domingo, 21 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 14 de junho de 2026
O Pentágono afirmou no último sábado (13) que a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e apontado como líder da gangue venezuelana Tren de Aragua, envia uma “mensagem clara à América Latina”. Niño Guerrero teria sido morto em uma operação militar feita pelos Estados Unidos em conjunto com a Venezuela.
A ação foi anunciada por Washington e Caracas na noite de sexta-feira (12), confirmando o encerramento de uma longa perseguição ao líder da facção, que havia escapado de uma prisão venezuelana em 2023. “Não há refúgio para narcoterroristas em nosso hemisfério”, escreveu na rede social X Patrick Weaver, subchefe de gabinete do secretário de Defesa, Pete Hegseth, ao comentar a operação. Weaver afirmou ainda que a pasta continuará atuando na região.
O presidente Donald Trump confirmou a operação também na noite de sexta pelas redes sociais, descrevendo a ação como um ataque “rápido e letal” feito pelo Comando Sul dos EUA. O republicano disse que a operação foi conduzida em “estreita cooperação” com o regime venezuelano.
Na publicação, ele compartilhou um vídeo de cerca de dez segundos que mostra, em imagens aéreas, um edifício cercado por vegetação. Em determinado momento, uma explosão atinge a área, provocando uma grande nuvem de fumaça. As imagens não permitem identificar a presença de pessoas no local.
“Sob minhas ordens, o Comando Sul dos EUA realizou um ataque rápido e letal para eliminar Niño Guerrero”, escreveu Trump.
O regime confirmou a morte logo em seguida. Segundo Caracas, a operação ocorreu no estado de Bolívar, no sudeste do país, e houve confrontos com integrantes de “estruturas do crime organizado”.
A suposta morte de Guerrero se insere em uma política mais ampla do governo Trump de pressão militar e diplomática na América Latina.
Fundado na Venezuela, o Tren de Aragua foi designado como organização terrorista estrangeira pelo Departamento de Estado dos EUA —mesma classificação atribuída mais recentemente às facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), em uma lista com ao menos outros 94 grupos.
A designação foi o primeiro passo de uma estratégia de pressão que culminou na captura de Nicolás Maduro, em janeiro deste ano. O ditador está atualmente preso em Nova York, acusado de narcotráfico. Desde então, Delcy Rodríguez atua como líder interina da Venezuela sob batuta de Washington, conduzindo o país em um processo de aproximação com os EUA e de abertura econômica até então impensáveis.
O republicano ampliou as operações de combate ao narcotráfico na região, classificou cartéis e facções de organizações terroristas e ameaçou parceiros comerciais com tarifas caso não cooperassem com a política da Casa Branca.
No post em que anunciou a operação, Trump disse que “os terroristas do Tren de Aragua não têm mais um refúgio seguro na Venezuela”.
De acordo com autoridades americanas, o Tren de Aragua é acusado de envolvimento em sequestro, extorsão, tráfico de pessoas para exploração sexual, contrabando de mercadorias e migrantes, mineração ilegal, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e assassinatos por encomenda.
A facção atua também na Colômbia, no Peru e no Chile, além de ter expandido suas atividades ao longo do corredor andino, do Panamá ao Brasil. O grupo ainda é conhecido pelo controle de rotas utilizadas por venezuelanos e outros imigrantes sul-americanos que se dirigem ao Chile e a outros destinos na América do Sul ou na Europa.
Niño Guerrero era considerado a principal liderança do grupo. Em 2023, ele escapou da prisão de Tocorón, na Venezuela, junto de outros integrantes da cúpula da organização, pouco antes de uma operação policial realizada pelas autoridades venezuelanas. Desde então, era apontado como um dos criminosos mais procurados da região e alvo frequente das ações de segurança promovidas pelo governo americano. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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