Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de fevereiro de 2026
Mais brasileiros foram mortos na Guerra da Ucrânia em 2025 do que a soma de todos os anos anteriores do conflito, iniciado em fevereiro de 2022, de acordo com dados do Itamaraty enviados à Folha.
O governo brasileiro contabiliza os óbitos de 23 cidadãos do país desde o começo da guerra. Destes, 12 (52%) perderam a vida no ano passado. Outros três foram declarados mortos neste ano, em pouco mais de um mês.
A pasta registra também aumento dos brasileiros considerados desaparecidos. O total é de 44, e 34 pessoas (77%) foram incluídas nessa lista em 2025. Os números correspondem apenas aos casos formalmente comunicados ao Brasil pelos governos da Rússia e da Ucrânia.
Os números preocupam o governo brasileiro, que tem reforçado alertas nas redes sociais sobre os riscos de envolvimento em combates no exterior. O Itamaraty também chama atenção para casos de cidadãos que relatam dificuldades para deixar fileiras de Exércitos estrangeiros após o alistamento.
Os brasileiros são recrutados com a intermediação de compatriotas que atuam em países estrangeiros. São também estimulados por publicações em redes sociais que glorificam os confrontos e prometem treinamento e salários robustos. A realidade, entretanto, é diferente da apresentada na internet.
Nesta semana, mais um brasileiro pode ter sido morto em combate na Ucrânia. O paraense Wesley Adriano Silva, que atuava como voluntário das forças de Kiev na guerra contra a Rússia, foi atingido por disparos de artilharia e não teria resistido, segundo publicações de amigos nas redes sociais. Apresentando-se como “Índio Boa Morte”, ele publicava na internet fotos e vídeos de suas atividades no país do Leste Europeu. O Itamaraty o considera desaparecido.
Diante das baixas de soldados brasileiros, o Itamaraty reforçou, na quinta (12), a recomendação para que convites ou ofertas de trabalho em Exércitos estrangeiros sejam recusados. Segundo a pasta, inclusive a assistência consular, nesses casos, pode ser “severamente limitada” pelos termos dos contratos assinados entre os alistados e as Forças Armadas de terceiros países.
“Não há obrigatoriedade por parte do poder público para o pagamento de passagens ou o custeio de retorno”, diz trecho do alerta. A nota acrescenta que os cidadãos que se voluntariam ficam sujeitos ainda a processos em cortes internacionais e também no Brasil.
A engenheira civil Mariana Figueredo de Souza, 28, relata angústia e afirma que teve prejuízo financeiro para ajudar o irmão a sair da Ucrânia. Incentivado por publicações nas redes, ele se voluntariou ao Exército de Kiev e viajou à Europa em novembro do ano passado, porém decepcionou-se com as condições que lhe foram impostas no país e se arrependeu da decisão.
Mariana diz que o irmão foi atraído por falsas promessas de que teria um trabalho na guerra para ajudar crianças e pessoas em situações de vulnerabilidade. Na Ucrânia, entretanto, ele teria se deparado com esquemas de corrupção nas tropas e enviado à região de front em poucos dias, sem treinamento, para o que ela descreve como “missões suicidas”. Com informações da Folha de São Paulo.
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