Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de fevereiro de 2026
Um evento marcado para as 9h deste domingo (1º) celebrará a conclusão da primeira fase do projeto de restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, no município gaúcho de Rio Pardo. Inaugurado há quase 250 anos, o mais antigo templo católico da região é um símbolo histórico da colonização portuguesa no Vale do Rio Pardo.
O telhado estava bastante degradado, devido à infiltração de água da chuva e ação de brocas e cupins, demandando um cuidadoso processo de recuperação. Esse trabalho então se concentrou na estrutural de madeira, com imunização e substituição de peças mais danificadas.
A fim de proporcionar maior longevidade e garantir a vedação do telhado, foi inserida uma subcobertura metálica sobre os caibros e instaladas novas telhas, do tipo capa-e-canal, semelhantes às originais. Arquiteto responsável pela obra, Lucas Volpatto detalha:
“Tudo foi feito para evitar que chova dentro da edificação, deixando a madeira melhor acondicionada e menos suscetível a pragas. Também houve a implementação de recursos de acessibilidade, para facilitar a inspeção e manutenção”.
O projeto é uma realização da Mitra Diocesana de Santa Cruz do Sul e Paróquia Nossa Senhora do Rosário – Rio Pardo. Acompanhada pelo corpo técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Rio Grande do Sul (Iphae), a obra contou com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), por meio da Secretaria Estadual da Cultura (Sedac. A gestão é da Cult Assessoria e Projetos Culturais, ao passo que a coordenação tem a assinatura do escritório Studio1 Arquitetura.
“O projeto de restauração é fundamental não só para a comunidade católica, como também para o Rio Grande do Sul, considerando tratar-se de um bem tombado pelo município (1980) e pelo Iphae (2010)”, ressalta Glaci Braga, sócia-diretora da Cult. É um símbolo afetivo de imenso valor histórico e cultural, integrado ao conjunto de imóveis históricos de Rio Pardo.”
Educação patrimonial
Ações de educação patrimonial foram planejadas para estimular a conscientização sobre a importância da preservação da Igreja Matriz, salientando as técnicas e cuidados necessários à sua integridade. Ao longo do ano passado, a iniciativa abrangeu visitas orientadas por especialistas em patrimônio, arte e conservação, bem como acadêmicos de Arquitetura e estudantes dos ensinos fundamental e médio.
Para celebrar a entrega da etapa inicial, duas cartilhas serão distribuídas ao público no evento deste domingo. A produção do material contou com a participação da equipe multidisciplinar, além de empresas e entidades envolvidas. Pesquisa e texto são dos historiadores Pedro Meirelles e Sofia Inda. Já o projeto gráfico é de Telma Mota e Gabriela Pinto, com ilustrações de Betina Nilsson.
História
De acordo com pesquisas históricas, em 1778 uma capela foi erguida no local e, posteriormente, acabou dando lugar a uma construção mais robusta, iniciada em 1790 com base no projeto do engenheiro militar Francisco João Roscio. Sua finalização data de 1801, ainda sem torres, sinos, relógio e revestimento interno ou externo.
A fachada da Matriz foi concluída no século 19, com estilo eclético e detalhes que remetem ao neoclássico. Seu acervo sacro é único, composto pelo altar-mor e retábulos originais agregados, com imagens religiosas.
Os detalhes foram acrescentados ao templo em diferentes épocas. Sinos e relógio são da década de 1850, assim como uma das torres – a outra teve sua finalização em 1885. As pinturas, por sua vez, são datadas do período de 1927 a 1930.
(Marcello Campos)
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