Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 9 de janeiro de 2020
O voo PS752, que caiu pouco tempo após decolar em Teerã e matou 176 pessoas, foi derrubado pelo sistema de defesa aérea do Irã de modo acidental, avaliam funcionários dos setores de inteligência dos Estados Unidos, que falaram com a imprensa americana sob condição de anonimato. Os primeiros-ministros do Canadá e do Reino Unido, Justin Trudeau e Boris Johnson, afirmaram o mesmo. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e das agências de notícias AFP e Reuters.
O New York Times também divulgou um vídeo que aparentemente mostra um míssil atingindo a aeronave sobre Parand, região próxima ao aeroporto de Teerã onde o avião transmitiu sinais pela última vez. O jornal afirma ter verificado o material.
Segundo a análise das imagens feita pelo jornal, uma pequena explosão aconteceu quando o míssil atingiu o avião, mas a aeronave não explodiu nesse momento: continuou voando por vários minutos e voltou em direção ao aeroporto. O New York Times afirma ainda ter analisado outros vídeos que mostram que o avião voou para o aeroporto antes de explodir e bater rapidamente.
Após as informações terem sido divulgadas, o Irã negou que o avião tenha sido atingido por um míssil. Segundo a TV estatal, o porta-voz do governo, Ali Rabiei, divulgou um comunicado dizendo que as declarações são parte de uma “guerra psicológica contra o Irã”.
“Todos esses países cujos cidadãos estavam a bordo do avião podem enviar representantes, e solicitamos que a Boeing envie seus representantes para se juntarem ao processo de investigação da caixa-preta”, afirmou.
Três funcionários do governo americano ouvidos anonimamente pela revista Newsweek —um membro do Pentágono, outro da Inteligência dos EUA e outro da Inteligência do Iraque— disseram que o avião foi atingido de forma acidental com o uso de um míssil antiaéreo de origem russa.
Outro funcionário, ouvido pela agência Reuters, afirmou que satélites dos EUA detectaram o lançamento de dois mísseis pouco antes de o avião cair.
Em um pronunciamento nesta quinta-feira (9), o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, afirmou ter informação “de múltiplas fontes, incluídos nossos aliados e nossos próprios serviços”, que “indica que o avião foi derrubado por um míssil terra-ar iraniano”. “Pode não ter sido intencional”, disse, em uma entrevista coletiva.
Em seguida, o premiê britânico, Boris Johnson, divulgou um comunicado em que afirma que há uma série de evidências que levam a essa mesma conclusão. “Há uma série de informações de que o voo foi derrubado por um míssil terra-ar. Pode ter sido não intencional”, afirmou. “O Reino Unido continua a pedir a todos os lados uma desescalada das tensões na região.”
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou a repórteres que a queda do avião pode ter sido causada por um acidente, mas não citou provas. “Eu tenho minhas suspeitas. Eu não quero falar porque outras pessoas têm suas suspeitas. Alguém pode ter cometido um erro no outro lado, não no nosso sistema. Isso não tem nada a ver conosco.”
O ministro das relações exteriores iraniano, Abbas Mousavi, pediu que o Canadá e outros países compartilhem com Teerã as informações que afirmam ter. “Estamos solicitando que o primeiro-ministro canadense e qualquer outro governo que tenha informação sobre o acidente as forneça para o comitê de investigações no Irã”, disse.
Ali Abedzadeh, chefe da Organização de Aviação Civil do Irã, já havia declarado que “cientificamente, é impossível que um míssil tenha atingido o avião ucraniano, e esses rumores são ilógicos”.
Mais cedo, nesta quinta, o governo da Ucrânia disse que investiga a possibilidade de que o avião tenha sido atingido por um míssil antiaéreo. Para investigar isso, haverá buscas por possíveis fragmentos desse tipo de artefato no local dos destroços.
Também são analisadas as possibilidades de que tenha ocorrido uma colisão com um drone ou outro objeto voador, uma explosão interna decorrente de um ato terrorista ou uma falha técnica que levou à explosão no motor.
Uma comissão de 45 ucranianos foi enviada a Teerã para tratar do caso. A equipe conta com especialistas que participaram das investigações sobre o ataque com um míssil russo que derrubou o voo MH17, da Malaysia Airlines, em 2014, no espaço aéreo da Ucrânia.
A autoridade de aviação civil iraniana divulgou um comunicado nesta quinta dizendo que, segundo testemunhas, o avião pegou fogo antes de cair, e o incêndio se alastrou rapidamente enquanto ele perdia altitude.
De acordo com o relatório, a aeronave teve um problema técnico logo após a decolagem e tentou retornar ao aeroporto antes da queda. No entanto, a falha em questão não foi revelada.
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