Segunda-feira, 05 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de janeiro de 2026
Projeções de analistas econômicos apontam para este ano no Brasil um superávit em torno de US$ 67 bilhões na balança comercial (diferença entre os valores totais de importação e exportação). O montante é superior ao esperado em 2025, cujo saldo positivo será oficialmente divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta terça-feira (6) e deve se aproximar de US$ 64 bilhões.
Após atingir a marca extraordinária de US$ 98,9 bilhões em 2023, os níveis de exportação e importação do Brasil voltam para um patamar mais “normal”, apontam economistas, mas ainda devem resultar em um saldo elevado em 2026, com importante contribuição para o setor externo brasileiro. Em 2024, o saldo foi de US$ 74,2 bilhões.
Ao mesmo tempo, a safra de soja em 2026 ainda deverá ser relevante, mas deve ficar abaixo da produção recorde de 2025. Os preços do grão, estima-se, devem andar de lado em 2026. Petróleo e soja, ao lado do minério de ferro, são os produtos mais importantes da pauta brasileira de exportações: o trio responde atualmente por 34% da receita total dos embarques brasileiros.
O comportamento moderado esperado para os preços condiz com a expectativa de desaceleração do comércio global em 2026. Uma forte perda de ritmo era estimada inicialmente para 2025, mas acabou não se concretizando em grande parte devido às questões tarifárias, que geraram antecipação de embarques e uma busca mais acirrada dos países por diversificação de mercados.
A última divulgação da Organização Mundial do Comércio (OMC), em outubro, revisou a expectativa de crescimento do comércio global para 2,4% em 2025, taxa bem mais alta que a projeção de 0,9% em agosto e 0,2% em abril. Para 2026, porém, a estimativa atual é de desaceleração para 0,5%. Em abril e agosto, as projeções para 2026 eram de 2,5% e 1,8%, respectivamente.
André Valério, economista do banco Inter, lembra que a exportação de soja nos últimos meses de 2025 foi muito puxada pela China, em níveis incomuns para o fim do ano. Esses embarques, segundo ele, resultaram da “confusão” gerada pela guerra comercial entre China e Estados Unidos:
“A China comprou muito mais soja do que compra normalmente do Brasil nesse período. Da última vez que isso aconteceu, o Brasil ganhou mercado chinês. Acredito que isso deva acontecer novamente, mas não devemos repetir o recorde de 2025, porque a China tem se comprometido a voltar a comprar dos Estados Unidos, o que deve impactar as exportações brasileiras”.
Ele acrescenta: “Além disso, não vemos a demanda chinesa se recuperando de maneira significativa a ponto de gerar um ciclo de alta de commodities. Sem uma demanda maior da China, os preços das commodities não devem ter grande impacto”.
Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, avalia que o cenário para 2026 é de “preços mistos”. “Não sabemos de fato para onde eles vão, e os volumes é que vão dominar a dinâmica.” Alguns preços podem ter leve queda, mas não há “pontos alarmantes” no cenário para a balança comercial brasileira.
Há a possibilidade de as negociações com os Estados Unidos melhorarem as exportações para o mercado americano, muito afetadas em 2025 pela política tarifária do governo Trump. Isso pode trazer um volume adicional favorável à balança comercial em 2026 e 2027.
A economista estima uma trajetória de saldos comerciais crescentes: US$ 65 bilhões em 2025, US$ 68,4 bilhões em 2026 e US$ 76,4 bilhões em 2027.
Além do desafio da economia chinesa, Valério aponta outro fator recente que pode afetar o saldo comercial brasileiro em 2026: a elevação de tarifas pelo México sobre importações do Brasil, da China e de outros países sem acordo de livre comércio com os mexicanos. As novas tarifas entraram em vigor em 1º de janeiro de 2026.
No caso brasileiro, foram afetados itens como automóveis e autopeças, têxteis e vestuário, calçados, eletrodomésticos, produtos siderúrgicos, plásticos e móveis. A medida pode impactar principalmente as exportações brasileiras de aço.
Do lado positivo, há mudanças esperadas de caráter mais estrutural do que conjuntural, que não devem ter efeito imediato claro em 2026. Entre elas está o acordo comercial UE-Mercosul, cuja expectativa é de assinatura em janeiro. O acordo é positivo, mas seu efeito tende a ser diluído ao longo do tempo. (com informações do portal Valor Econômico)