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Por Redação O Sul | 1 de fevereiro de 2018
A balança comercial brasileira registrou superavit de US$ 2,768 bilhões em janeiro, de acordo com os dados divulgados pelo MDIC (Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços) na quinta-feira, 1º.
O resultado é o melhor para meses de janeiro desde 2006, quando alcançou US$ 2,840 bilhões. No primeiro mês de 2017, o saldo havia sido de US$ 2,710 bilhões.
O superavit da balança comercial se dá quando as exportações superam as importações no período. No caso, em janeiro, o resultado ficou levemente abaixo da mediana das previsões dos analistas do mercado financeiro, calculada em US$ 2,9 bilhões, com base num intervalo de estimativas de US$ 2 bilhões a US$ 5 bilhões).
No mês passado, as exportações somaram US$ 16,968 bilhões (alta de 13,8% ante janeiro de 2017), e as importações, US$ 14,199 bilhões (aumento de 16,4%, superior ao das vendas externas).
Houve aumento nas vendas de produtos manufaturados (23,6%), básicos (11,2%) e semimanufaturados (1,1%). Pelo lado das compras, destaque para a alta de combustíveis e lubrificantes (96,3%), bens de consumo (19,2%) e bens intermediários (5,8%).
Na quarta semana de janeiro (22 a 28), o superavit comercial foi de US$ 810 milhões e, na quinta semana (29 a 31), de US$ 121 milhões.
Impacto positivo no PIB
Os sinais recentes de recuperação da indústria devem se refletir positivamente no PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, segundo André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A indústria encerrou 2017 com expansão de 2,5% na produção. “Claro que todos esses sinais recentes da indústria têm reflexo positivo no PIB”, declarou Macedo.
O pesquisador pondera, porém, que as perdas acumuladas nos três anos de retração da produção (-16,7%) ainda não foram recuperadas. Para retornar ao pico, é necessária uma melhora mais contundente do mercado de trabalho, com geração de vagas formais e redução no contingente de desempregados, avalia ele. “Apesar da melhora na conjuntura econômica, ainda há espaço a ser percorrido pelo mercado de trabalho”, disse.
Em 2017, o avanço da confiança empresarial ajudou a impulsionar a fabricação de bens de capital, enquanto o aumento na ocupação, a inflação mais baixa e a queda na taxa de juros impulsionaram a produção de bens de consumo duráveis.
“A maior confiança dos empresários já está afetando decisões de realizar investimentos. Ainda está aquém em relação a níveis de confiança do passado, mas já há melhora significativa. Houve algum tipo de melhora do mercado de trabalho, mesmo que ainda se dê via trabalhos informais e ainda tenha desemprego elevado. O aumento na massa de rendimento, a inflação mais comportada, a redução na taxa de juros afetando crédito, melhora na inadimplência e no comprometimento de renda das famílias… Tudo isso dá algum tipo de melhora para bens duráveis”, enumerou Macedo.
O aumento nas exportações, no entanto, também teve impacto relevante sobre o bom desempenho de diversos segmentos industriais, como veículos, metalurgia, papel e celulose, extração de minério de ferro e setor de alimentos. “(Exportação) É um fator importante para entendermos o crescimento da indústria do ano de 2017”, frisou Macedo.
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