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Eleições 2026 Bancada evangélica cresce puxada por influenciadores como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato

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Levantamento do Iser mostra mostra salto de 15,8% para 18,9% dos deputados eleitos. (Foto: Reprodução)

Com três dos cinco deputados mais votados do país e Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, a bancada evangélica na Câmara dos Deputados deve crescer a partir de 2027.

A próxima legislatura terá 97 deputados que se declaram evangélicos, 16 a mais que em 2022. O grupo passará de 15,8% para pelo menos 18,9% das 513 cadeiras, segundo levantamento do Iser (Instituto de Estudos da Religião).

Os católicos tiveram a maior expansão absoluta, passando de 237 deputados em 2022 (46,2%) para 270 em 2026 (52,6%). Já os congressistas sem religião caíram de 12 para seis.

Apesar do crescimento, os evangélicos continuam sub-representados em relação à população brasileira: no Censo de 2022, correspondiam a 26,9% dos brasileiros com 10 anos ou mais.

“Continuamos sub-representados no Congresso”, afirma Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), ex-presidente da bancada. Ele espera que a renovação torne o grupo mais atuante na defesa de pautas ligadas a valores morais.

A mudança é marcada pelo desgaste de lideranças tradicionais. Dos cinco deputados que comandaram a bancada desde 2018, apenas Sóstenes se reelegeu. Ficaram de fora nomes como Cezinha de Madureira (PL-SP), Silas Câmara (Republicanos-AM), Eli Borges (PL-TO) e Pastor Eurico (PSDB-PE).

A renovação é impulsionada por políticos jovens e com forte presença digital. Os dois deputados mais votados do país são evangélicos: Nikolas Ferreira (PL-MG), de 30 anos, e Lucas Pavanato (PL-SP), de 28. André Fernandes (PL-CE), também de 28, ficou em quarto lugar.

Outro estreante é Guilherme Kilter (Novo-PR), de 24, líder de jovens na Primeira Igreja Batista de Curitiba. Ele critica a bancada por ter “parado no tempo” e defende modernizar sua comunicação nas redes sociais.

Herdeiros de grandes denominações também enfrentaram derrotas. Nenhum dos filhos do missionário R.R. Soares foi eleito. Na Igreja Universal do Reino de Deus, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, garantiu a reeleição, mas Edna Macedo, irmã do bispo Edir Macedo, e Marcelo Crivella, sobrinho dele, não conseguiram se eleger.

Dos 97 deputados evangélicos identificados pelo Iser, 55 foram reeleitos, ou 56,7% do grupo, abaixo da taxa geral de reeleição da Câmara, de 60,62%.

O PL concentra a maior parcela, com 42 deputados evangélicos. Republicanos tem 14, enquanto União Brasil, PSD e PP têm sete cada. Há também sete parlamentares evangélicos em partidos de esquerda, entre eles o pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ).

Regionalmente, o Sudeste reúne 39 deputados evangélicos. O Centro-Oeste apresenta a maior proporção, com 24,4% dos eleitos da região, enquanto o Nordeste tem a menor, 12,6%.

Para a antropóloga Lívia Reis, coordenadora da pesquisa, os candidatos passaram a explorar a identidade cristã de maneira mais difusa, sem necessariamente se vincular a igrejas específicas. Influenciadores digitais cristãos, como Nikolas Ferreira, contribuíram para eleger novos nomes.

Reis também identifica uma aproximação entre as bancadas do boi, da bala e da Bíblia, ligadas ao agronegócio, à segurança pública e ao conservadorismo religioso. Segundo ela, a maioria dos parlamentares militares ou ligados às polícias é cristã, indicando a articulação entre pautas punitivistas e conservadoras.

O levantamento do Iser considera a religião declarada pelos deputados, não a composição oficial da Frente Parlamentar Evangélica, cuja adesão é voluntária e exige ao menos 171 signatários para formalização.

Senado

O Senado será 95% cristão, segundo o Iser. Dos 81 senadores, 58 são católicos (71,6%), 15 se declaram evangélicos (18,5%) e quatro se identificam genericamente como cristãos.

O PL concentra oito dos 15 senadores evangélicos. Republicanos e Novo têm dois cada, enquanto União Brasil e PP têm um representante cada. A única representante da esquerda no grupo é Samanda Alves de Freitas (PT-RN). (Com informações da Folha de S.Paulo)

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