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Política Bancada ruralista mira invasões do MST e ameaça Lula com CPI

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A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que protesta contra a onda de invasões de propriedades rurais deflagrada no chamado “Abril Vermelho”

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que protesta contra a onda de invasões de propriedades rurais deflagrada no chamado “Abril Vermelho”. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode enfrentar uma segunda CPI no Congresso que contraria seus interesses. Depois de mudar de posição e passar a defender a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar os atos golpistas de 8 de janeiro – ainda pendente de instalação –, o governo terá de lidar agora com a pressão da bancada ruralista para a abertura da CPI do Movimento dos Sem Terra (MST).

Com articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que protesta contra a onda de invasões de propriedades rurais deflagrada no chamado “Abril Vermelho”, a instauração do colegiado tem o apoio de deputados aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os ruralistas acumulam atritos com a gestão petista nestes primeiros três meses.

Autor do requerimento de criação da CPI já protocolado, o deputado Tenente-Coronel Zucco (Republicanos-RS) justifica que há “propriedades rurais produtivas sendo invadidas”, além de “um crescimento desordenado” dessas ações. “Não cabe ao MST definir se a propriedade é produtiva ou não. A pauta de reforma agrária é política, financeira e ideológica”, afirma o deputado. O pedido já atingiu o número mínimo necessário de assinaturas, com 171 adesões.

Instalação

Na semana passada, o autor do requerimento e o presidente da FPA, Pedro Lupion (PPPR), reuniram-se com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para garantir a leitura do pedido. O procedimento dá início à instalação da comissão. Segundo parlamentares que participaram do encontro, a CPI tem parecer jurídico favorável e deve ser lida nos próximos dias.

A expectativa de Zucco é de que a CPI seja instalada nesta semana ainda, “pois não há mais motivo” para que o colegiado não comece os trabalhos. O objetivo do grupo é investigar a “escalada” de invasões do MST em fazendas, apurar se parlamentares e empresários estão patrocinando as ações e analisar as nomeações de líderes dos sem-terra no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

“Um dos atores a serem escutados (na CPI) é o próprio governo”, afirmou o Zucco. “A gente vai procurar saber qual é o motivo e qual é a estratégia para tanta invasão, tanto crime e essa omissão e possível conivência.”

Concessões

Na semana passada, o governo Lula cedeu à pressão do MST e nomeou sete novos superintendentes regionais do Incra. O movimento cobrou a gestão petista para que fizesse a substituição imediata de chefias do órgão nomeados durante o governo Bolsonaro por “pessoas comprometidas com a reforma agrária”.

A ida do líder do MST, João Pedro Stédile, à China com Lula agravou as divergências com os bolsonaristas e com a FPA. Stédile foi ao encontro com o presidente do país asiático, Xi Jinping, após anunciar que as invasões a terras continuariam em abril. Segundo Zucco, Stédile será um dos primeiros chamados a depor. “O motivo das visitas era vender o agro, e a gente estava na comitiva com um integrante que anuncia invasões. O pior criminoso é aquele que anuncia o crime”, afirmou Zucco.

O presidente da FPA também criticou a presença do líder do MST na comitiva. “É um tapa na cara do produtor brasileiro. O prêmio do homem que anuncia uma série de crimes no Brasil é uma passagem de jato do presidente da República, é um absurdo”, disse Lupion. Todos os vice-líderes regionais da frente, com exceção de Marussa Boldrin (MDB-GO), que comanda o grupo no Centro-Oeste, assinaram o requerimento de instauração do colegiado.

Crescimento

Só em abril deste ano, o MST afirma ter invadido 13 fazendas. Durante os primeiros três meses do governo Lula, as invasões já haviam superado o total das ações registradas em todo o primeiro ano da gestão Bolsonaro. Foram 16 invasões e, em 2019, 11, segundo dados do Incra.

O segundo-vice-presidente da FPA na Câmara, deputado Evair Melo (PP-ES), disse ter concluído que há “um projeto orquestrado de gente que está financiando” as invasões. “Nós queremos a CPI para identificar os financiadores e poder responsabilizá-los.”

Na viagem de Lula à China, o presidente da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex-Brasil), ex-senador Jorge Viana (PT-AC), atrelou o agronegócio brasileiro ao desmatamento. Viana, que não sabe falar inglês, retirou o requisito para se manter na presidência. “Vexame atrás de vexame. Ele (Viana) dá um jeitinho para garantir seus privilégios e permanecer rebaixando nossa imagem perante o mundo”, disse o deputado Messias Donato (Republicanos-ES).

O líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu (PR), disse que propôs diálogo a Lira. “Sugeri a Lira um encontro de ambos os lados, MST e FPA, para um combinado de vida mais serena, mais harmônica.”

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