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Economia Banco Central é alvo de ataques coordenados nas redes sociais por causa de atuação no caso do Banco Master, aponta levantamento

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A ofensiva utilizou contas conhecidas por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central. (Foto: Reprodução)

Instituições e autoridades envolvidas com a liquidação do Banco Master sofreram uma série de ataques nas redes sociais pouco antes da virada do ano. A ofensiva, concentrada em um período de 36 horas, utilizou contas conhecidas por promover celebridades para questionar a credibilidade de órgãos como o Banco Central (BC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em relação à operação de liquidação do Master, decretada em novembro pelo BC e que está sob o escrutínio do Tribunal de Contas da União (TCU).

Embora figuras como Gabriel Galípolo (BC) e Isaac Sidney (Febraban) tenham sido citadas, o alvo principal foi o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC Renato Dias Gomes, responsável pelo veto da oferta de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Procurados, Renato Gomes, BC e Master não quiseram se pronunciar sobre o caso.

Levantamento feito pela Febraban obtido pelo Estadão/Broadcast mostra que o pico ocorreu no dia 27 de dezembro, somando 4.560 posts. Houve uma “redução significativa” nos últimos três dias, com 132 publicações registradas nas 24 horas até o dia 5, todas provenientes do X.

Em nota, a Febraban afirmou que faz, de forma periódica, monitoramento com empresas especializadas de postagens em redes sociais relativas à sua atuação e à do setor bancário.

“Nesses levantamentos recorrentes, foi identificado, no final de dezembro, volume atípico de postagens com menções relativas à entidade e seus representantes, referentes ao noticiário sobre liquidação de instituição financeira”, diz a nota. “A Febraban está analisando se as postagens identificadas naquele período caracterizariam ou não eventual ataque coordenado à entidade, sendo que já se observou nos últimos dias uma redução significativa daquele volume atípico.”

A estratégia de difamação valeu-se de perfis de alcance massivo para disseminar narrativas distorcidas. Uma página, acompanhada por 4,1 milhões de usuários, mostrava o ex-diretor ao lado de fios emaranhados para sugerir negligência e desordem. Gomes era tido como uma das vozes mais duras em relação à continuidade das operações do banco de Daniel Vorcaro, controlador do Master que chegou a ser preso pela Polícia Federal em novembro acusado de gestão fraudulenta.

Em outra publicação, uma conta com 25,3 milhões de seguidores exibia uma montagem de Gomes com uma caixa de pizza e o título: “Mais rápido do que uma pizza: Renato Gomes liquida banco em 40 minutos e joga conta bilionária no seu colo”.

A análise feita pelo BC sobre a oferta do banco estatal por parte da instituição de Vorcaro, no entanto, demorou mais de cinco meses, uma vez que o veto ao negócio foi anunciado em setembro. Já a liquidação do Master foi decretada em novembro, com voto recomendado por outro integrante do BC: Ailton de Aquino, diretor de fiscalização.

Aquino foi convocado pelo relator do caso no STF, ministro Dias Toffoli, para a acareação do caso. Ao final, no entanto, ele somente prestou depoimento e foi liberado do confronto de versões com Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.

Procuradas, as contas “comuacin” e “alfinetei”, exemplificadas acima, não se manifestaram.

Alguns influenciadores foram às redes dizer que foram procurados para criticar a atuação da autoridade monetária no caso. O vereador de Erechim (RS), Rony Gabriel (PL), e a influenciadora JulianaMoreira Leite afirmam ter recebido propostas para compartilhar conteúdos em defesa do Master e contra o BC em seus perfis nas redes sociais.

Rony Gabriel diz em um vídeo publicado no Instaram que foi procurado no dia 20 de dezembro do ano passado por uma empresa que fazia “gerenciamento de reputação para um grande executivo”. A proposta era, segundo ele, que fossem produzidos vídeos para seus perfis nas redes sociais para “dizer que o Banco Master era uma vítima do Banco Central”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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