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Economia Banco Central norte-americano interrompe corte na taxa de juros, apesar das pressões de Trump

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A ofensiva do governo ampliou os receios de investidores quanto a uma possível interferência política na atuação do banco central americano.

Foto: Reprodução
A ofensiva do governo ampliou os receios de investidores quanto a uma possível interferência política na atuação do banco central americano. (Foto: Reprodução)

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (28) manter a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, interrompendo o ciclo de flexibilização monetária iniciado em setembro do ano passado, quando a autoridade monetária promoveu a primeira de uma sequência de três reduções consecutivas.

A decisão não foi unânime. Dois dirigentes com direito a voto no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) — Stephen Miran e Christopher Waller — divergiram da maioria e defenderam um corte de 25 pontos-base (0,25 ponto percentual). Miran, que também preside o Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca, já havia se manifestado publicamente contra o patamar elevado dos juros, alinhando-se às críticas feitas pelo presidente Donald Trump.

Waller, considerado um dos possíveis sucessores de Jerome Powell no comando do Fed, também votou pela redução, reforçando o entendimento de que a inflação já apresenta sinais suficientes de arrefecimento para permitir um novo afrouxamento monetário.

Apesar das divergências internas, a decisão confirmou as expectativas do mercado financeiro. De acordo com dados da plataforma CME Group, Wall Street atribuía mais de 97% de probabilidade à manutenção dos juros nesta reunião, realizada em uma chamada “superquarta”, que concentrou decisões de política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

Em entrevista após o anúncio, Powell voltou a afirmar que o Fed segue comprometido com seu mandato duplo de controle da inflação e pleno emprego, ressaltando que novas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos. O presidente do Fed tem resistido às pressões públicas de Trump, que voltou a cobrar cortes mais agressivos na taxa de juros como forma de estimular o crescimento econômico.

O ambiente político em torno da autoridade monetária se tornou ainda mais sensível após o Departamento de Justiça dos EUA abrir uma investigação criminal relacionada ao depoimento de Powell ao Congresso, no ano passado, sobre os custos da reforma da sede do Fed, estimados em US$ 2,5 bilhões.

A ofensiva do governo ampliou os receios de investidores quanto a uma possível interferência política na atuação do banco central americano, um fator que pode aumentar a volatilidade nos mercados e comprometer a credibilidade da política monetária dos Estados Unidos.

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Vanderlei Ochoa
28 de janeiro de 2026 20:11

Todos contra Trump

Regis Caetano Essencias
28 de janeiro de 2026 21:15

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