Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de janeiro de 2026
O Banco Master admitiu ao Banco Central (BC) não ter informações sobre os fundos administrados pela gestora de investimentos Reag que garantiam os empréstimos concedidos pela instituição financeira em caso de calote.
As operações de crédito entraram na mira das autoridades e são investigadas pela Polícia Federal (PF) por suspeita de fraude. Master e Reag, que foram liquidados pelo BC, negam qualquer irregularidade.
Os investigadores apuram se o Master concedia empréstimos para algumas empresas que não pagavam as parcelas, gerando assim uma receita somente no papel. Os prazos de carência para o início do pagamento dos créditos eram prorrogados com frequência. Na prática, segundo o inquérito da PF, “não houve efetivo pagamento de juros nem amortizações” dos empréstimos.
Investigadores apontam que o Master liberava os empréstimos para empresas, e, em poucos minutos, os recursos eram quase que integralmente repassados a fundos administrados pela Reag, que simulavam uma rentabilidade irreal. Ao final dessa operação, o dinheiro voltava para a própria instituição financeira por meio de aplicações.
Ao analisar esse fluxo financeiro, o BC solicitou ao Master a apresentação dos controles implementados para monitoramento da evolução dos projetos e acompanhamento dos valores já liberados para cada cliente. O banco informou que não detinha as informações e seria necessário perguntar à Reag.
A resposta chamou a atenção do BC, que registrou que o Master deveria receber relatórios de acompanhamento das garantias dos empréstimos a cada 30 dias. A entidade monetária afirma que essa prática “evidencia a falta de adequado acompanhamento das operações estruturadas (empréstimos) por parte do Banco Master”.
Documento do BC enviado ao Ministério Público Federal (MPF) reforçou que as operações entre Master e Reag envolviam uma “reavaliação indevida de ativos, que permitiu aos fundos de investimento auferir rentabilidade extraordinária”.
O caso mais ilustrativo é o empréstimo de R$ 459 milhões concedido pela instituição financeira de Daniel Vorcaro para a Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, dirigida por uma ex-funcionária da Reag. Segundo informações do jornal O Globo, tão logo esses recursos foram recebidos pela empresa, o dinheiro foi repassado para o Fundo Brain Cash, criado pela Reag 20 dias antes, com um patrimônio de R$ 15 mil.
A aplicação de R$ 450 milhões no fundo Brain Cash foi relâmpago. Uma hora e meia depois de receber esses recursos, o dinheiro foi repassado para o Fundo D Mais, também ligado à Reag e que tinha em sua carteira de investimentos papéis do Besc. Três minutos depois, o Fundo D Mais transferiu R$ 450 milhões ao FIDC High Tower para liquidar parte de uma aquisição de papéis do Besc.
Esse fundo, segundo a investigação, reavaliou esses ativos de baixa liquidez para R$ 10,8 bilhões, registrando uma rentabilidade de 10.502.205% em 2024. No mesmo ano, para efeito de comparação, a maior criptomoeda do mundo rendeu em torno de 120% de retorno em dólar, enquanto o ouro valorizou 61,6% em reais no mesmo período.
A PF também suspeita que, após circularem por estruturas administradas pela Reag, os recursos tenham retornado ao próprio Master por meio da aquisição de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principal forma de captação do banco no mercado. As informações são do jornal O Globo.
Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!