Quarta-feira, 08 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 4 de abril de 2026
Os bancos públicos e privados se preparam para perder até R$ 542 bilhões para a inadimplência até janeiro deste ano, de acordo com um levantamento produzido pelo Banco Central. Esse volume de recursos está registrado no balanço das instituições financeiras como “provisões para crédito” ou “provisão para devedores duvidosos” (PDD), termo usado para se referir a possíveis calotes em empréstimos concedidos a pessoas físicas e empresas.
Esse é o maior valor nominal já separado pelos bancos para lidar com a inadimplência desde o início da série histórica, nos anos 80. Em termos porcentuais, representa 7,6% de tudo que foi emprestado pelas instituições financeiras aos clientes – o maior nível em duas décadas.
Há alguns fatores técnicos que explicam esse cenário. O principal é a mudança na forma com que são calculados os recursos a serem provisionados para possíveis calotes, com a adoção de uma nova regra no final de 2024, chamada “Resolução CMN 4.966”.
Segundo Pedro Ávila, analista da Varos Research, antes desta nova regra, os bancos classificavam os empréstimos por níveis de atraso e, a partir dessa classificação, estabeleciam um porcentual de provisão.
“Na resolução antiga, a inadimplência chegava antes da provisão. Essa dinâmica causava insegurança nos balanços”, afirma Ávila. Na CMN 4.966, as provisões precisam ser feitas antes de a inadimplência acontecer, com base em cálculos que levam em consideração características do devedor e as expectativas para a economia. Essa mudança na forma de calcular fez com que, somente entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, as provisões crescessem 20%.
“Além disso, a nova resolução classifica como operação de crédito algumas transações que anteriormente não eram classificadas como tal”, diz o especialista da Varos. Um exemplo, aponta Ávila, são os títulos atrelados a dívidas das empresas, conhecidos como debêntures. “Havia risco de crédito, mas os bancos não precisavam fazer provisões para isso antes da nova resolução.”
A partir das mudanças regulatórias, as provisões para inadimplência também passaram a refletir melhor a percepção das instituições financeiras sobre os rumos da economia. Em outras palavras, os bancos provisionam mais quando projetam que as pessoas e empresas terão mais dificuldades para pagar suas dívidas no futuro.
Uma parte dessa expectativa é sustentada pelo nível da taxa básica de juros, a Selic, o principal parâmetro para os juros praticados em operações de crédito no País. No dia 18, o Comitê de Política Monetária (Copom) fez o primeiro corte na taxa em dois anos, de 0,25 ponto porcentual, para 14,75% ao ano.
Os efeitos da redução da taxa não são sentidos instantaneamente e o nível de juro ainda é “restritivo”. Ou seja, encarece as dívidas das empresas e os empréstimos concedidos a pessoas físicas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Bem feito, dão cartões para todo o tipo de gente, que não tem as mínimas condições de pagá-los, isso deveria ser proibido. As vezes até tem condições mas acontece um tropeço, aí é o caso de negociar com o inadimplentes. A maioria ganha salário mínimo e tem 4 ou mais cartões.