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Acontece Biosseguridade na suinocultura e a disputa por mercados no RS

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O debate também contou com representantes da indústria e do setor produtivo, incluindo Alibem Alimentos, Seara Alimentos e a Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul.

Foto: Pacheco Fotografias
O debate também contou com representantes da indústria e do setor produtivo, incluindo Alibem Alimentos, Seara Alimentos e a Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul. (Foto: Pacheco Fotografias)

A suinocultura gaúcha atravessa um ponto de inflexão em sua estratégia de competitividade. Em um cenário global cada vez mais rigoroso em exigências sanitárias e rastreabilidade, a biosseguridade deixou de ser apenas protocolo técnico e passou a operar como condição de permanência nos mercados internacionais.

Esse foi o eixo central da 2ª edição do Fórum Estadual de Sanidade Suína, realizada nesta quarta-feira (6), durante a Fenasoja, em Santa Rosa. O encontro reuniu cerca de 300 participantes presenciais e audiência online, consolidando-se como uma das principais arenas técnicas do setor no estado.

Promovido pelo Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul em parceria com o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal, o fórum colocou em evidência um tema que ganhou peso geopolítico dentro do agronegócio: a segurança sanitária como passaporte comercial.

Na abertura, o secretário da Agricultura, Márcio Madalena, reforçou o papel estratégico da região como polo de proteína animal e exportação. Ele destacou que o debate sobre biosseguridade não pode mais ser restrito às propriedades rurais ou ao ambiente técnico, mas deve envolver toda a cadeia produtiva, dada sua relação direta com acesso a mercados e estabilidade econômica do setor.

A leitura foi endossada pelo setor industrial. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul, José Roberto Fagundes Goulart, foi direto ao ponto ao afirmar que, no mercado internacional, “a primeira exigência não é preço, é confiança”. Segundo ele, a credibilidade sanitária se tornou ativo central nas relações comerciais, especialmente em um ambiente marcado por riscos globais e recorrência de crises sanitárias em cadeias de proteína animal.

O Brasil mantém posição relevante no comércio mundial de carne suína, com exportações em crescimento e forte dependência do mercado interno, que absorve a maior parte da produção. Esse equilíbrio impõe ao setor um duplo desafio: garantir abastecimento doméstico e, ao mesmo tempo, sustentar padrões sanitários compatíveis com mercados mais exigentes da Ásia e da América Latina.

Nesse contexto, a palestra do consultor Werner Meinke trouxe uma abordagem estruturante ao conceito de biosseguridade. A análise reforçou que não se trata de um conjunto de ações pontuais, mas de um sistema permanente de prevenção, controle de acesso, manejo sanitário e padronização operacional dentro das propriedades. A lógica apresentada desloca a biosseguridade do campo da recomendação técnica para o da gestão estratégica.

O debate também contou com representantes da indústria e do setor produtivo, incluindo Alibem Alimentos, Seara Alimentos e a Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul. O painel reforçou a necessidade de integração entre produtores, indústrias e serviço veterinário oficial como eixo fundamental de mitigação de riscos sanitários.

No pano de fundo do debate está um ambiente global mais restritivo. Episódios recentes de doenças transfronteiriças em cadeias de proteína animal elevaram o nível de exigência de países importadores, que passaram a priorizar não apenas qualidade do produto final, mas também a robustez dos sistemas de controle ao longo de toda a cadeia produtiva.

O Rio Grande do Sul ocupa posição estratégica nesse cenário. Regiões como Santa Rosa concentram parte expressiva da produção de suínos e estão diretamente conectadas às cadeias exportadoras. Isso amplia a pressão sobre sistemas locais de vigilância sanitária, já que qualquer falha pode impactar contratos internacionais e fluxos comerciais consolidados.

O fórum encerrou com a condução técnica do diretor do DDA/Seapi, Fernando Groff, reforçando a necessidade de integração entre políticas públicas, setor produtivo e indústria. A mensagem central foi de alinhamento: biosseguridade não é mais diferencial competitivo — é requisito de acesso.

No limite, o que está em jogo não é apenas a sanidade animal, mas a capacidade do Brasil e do Rio Grande do Sul de sustentarem sua posição no mercado global de proteína. Em um ambiente onde confiança vale mais do que preço, a gestão sanitária passa a ser, cada vez mais, uma variável econômica. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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