Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de junho de 2021
O Vaticano advertiu os bispos americanos conservadores a pisarem no freio em sua tentativa de negar a comunhão a políticos que apoiam o direito ao aborto legal – incluindo o presidente Joe Biden, um frequentador assíduo da igreja e o primeiro católico romano a ocupar a Casa Branca em 60 anos.
Mas, apesar do sinal vermelho bem nítido de Roma, os bispos americanos continuam pressionando de qualquer maneira, e devem pautar esta questão da comunhão em uma reunião remota.
Alguns bispos importantes, cujas prioridades estão claramente alinhadas com o ex-presidente Donald Trump, agora querem reafirmar a centralidade da oposição ao aborto na fé católica, e buscam estabelecer uma linha dura. Esta urgência aumentou com um católico progressista no Salão Oval.
A disputa ameaça destruir a fachada de unidade com Roma, destacar a polarização política dentro da Igreja americana e definir o que os historiadores da Igreja consideram um precedente perigoso para conferências episcopais em todo o mundo.
“O Vaticano se preocupa em não permitir que usem o acesso à Eucaristia como uma arma política”, disse Antonio Spadaro, um padre jesuíta e aliado próximo de Francisco.
O papa Francisco, que identificou explicitamente os Estados Unidos como a fonte de oposição ao seu Pontificado, pregou este mês que a comunhão “não é a recompensa dos santos, mas o pão dos pecadores”.
Seu principal oficial doutrinário, o cardeal Luis Ladaria, escreveu uma carta aos bispos americanos, advertindo-os de que o voto poderia “se tornar uma fonte de discórdia, em vez de unidade, entre o episcopado e a Igreja mais ampla”.
O resultado é uma rara fenda visível entre Roma e a Igreja americana.
Os oponentes da votação suspeitam de uma motivação política mais crua, destinada a enfraquecer o presidente e um Papa que muitos deles não apoiam, promovendo um debate prolongado sobre um documento, a ser ampliado na mídia católica conservadora e em programas de TV de canais a cabo de direita.
Questionado sobre a questão da comunhão, Andrew Bates, um porta-voz da Casa Branca, disse:
“Como o povo americano bem sabe, o presidente é uma pessoa de forte fé.”
O papa Francisco, junto com o resto da hierarquia de sua igreja, se opõe explicitamente ao aborto, o considera um dos pecados mais graves, e fala incessantemente contra ele. Mas isso não é o mesmo que punir políticos católicos com a negação da comunhão, o que muitos aqui acreditam que seria uma intromissão nas questões de Estado.
Entre os que lideram o esforço está o arcebispo José Gomez, de Los Angeles, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, que foi repetidamente preterido por Francisco para o posto de cardeal.
“O foco deste documento de ensino proposto”, escreveu o Arcebispo Gomez em um memorando, “é a melhor forma de ajudar as pessoas a compreender a beleza e o mistério da Eucaristia como o centro de suas vidas cristãs”.
Os bispos americanos conservadores estão em grande medida em desacordo com Francisco e com a sua agenda que coloca a mudança climática, os imigrantes e a pobreza em primeiro plano na Igreja. Mas Thomas Reese, um padre jesuíta e um analista sênior do Religion News Service, disse que os conservadores constituem pelo menos metade da conferência dos bispos americanos, e que poderiam ter os suficientes votos para iniciar o processo de redação de um documento ensinando quem pode receber a comunhão. As informações são do jornal The New York Times.
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