Sábado, 07 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de novembro de 2026
Em quatro dias da Black Friday 2025, foram registradas 29.689 tentativas de fraude no e-commerce brasileiro, uma média de 7.422 por dia, ou cerca de 309 por hora. Segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, ticket médio das tentativas registradas entre 27 e 30 de novembro chegou a R$ 1.034,77, 45,44% acima do registrado entre pedidos legítimos. Se não tivessem sido barradas, as ocorrências registradas poderiam gerar R$ 30,7 milhões em prejuízos.
A sexta-feira (28 de novembro), data oficial da Black Friday no ano passado, concentrou o maior número de tentativas: 9.545, associadas a R$ 11,2 milhões. No mesmo dia, foram registrados 1,95 milhão de pedidos. O ticket médio das tentativas de fraude chegou a R$ 1.171,59, o maior do período e 40,2% superior ao valor médio dos pedidos legítimos.
O risco, porém, não ficou restrito à data oficial. A quinta-feira registrou 7.903 tentativas, enquanto sábado e domingo somaram 12.241. Ao todo, os quatro dias movimentaram R$ 3,5 bilhões em 4,9 milhões de pedidos. “A Black Friday concentra um volume muito elevado de transações em poucos dias e, para empresas e consumidores, isso exige atenção reforçada à segurança. O ticket mais alto das tentativas de fraude mostra que não basta observar apenas a quantidade de ocorrências: o valor envolvido em cada investida também é relevante”, avalia Eric Dhaese, vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.
Na segunda-feira seguinte à Black Friday do ano passado, quando é realizada a Cyber Monday, foram registradas outras 6.595 tentativas de fraude. Com isso, o total de ocorrências entre 27 de novembro e 1º de dezembro chegou a 36.284, associadas a R$ 37,4 milhões.
Considerando 27 de novembro e 1º de dezembro do ano passado, a média foi de 1,13 milhão de pedidos por dia, a maior entre as datas comerciais analisadas e quase o dobro das médias registradas em períodos como Natal e Dia das Mães.
“Na Black Friday, a intensidade que impulsiona as vendas também amplia a exposição à fraude. Com mais transações acontecendo em menos tempo, o desafio é identificar rapidamente o que representa risco sem criar barreiras para quem está comprando de forma legítima”, afirma Dhaese.
Madrugada tem maior risco
O levantamento aponta que as tentativas de fraude são mais frequentes durante a madrugada. Entre 0h e 5h, o percentual de ocorrências supera 0,6% e chega a cerca de 1,3% no pico. No restante do dia, entre 5h e 23h, o índice não alcança 0,6%.O ticket médio das tentativas na madrugada foi de R$ 1.034,77, valor 45,44% superior ao registrado entre os pedidos legítimos.
Entre os registros com informação sobre faixa etária, as Gerações Y e Z concentraram, juntas, 71,6% das tentativas de fraude analisadas. A Geração Y respondeu por 39% do total, com 8.092 ocorrências, associadas a R$ 9 milhões. Já a Geração Z representou 32,6%, com 6.766 tentativas e R$ 5,96 milhões em valores associados.
O ticket médio das tentativas também variou entre as gerações. A Geração Alpha apresentou o maior valor, de R$ 1.259,56, seguida pela Geração X, com R$ 1.157,94. Entre a Geração Y, o ticket médio foi de R$ 1.116,36, enquanto na Geração Z chegou a R$ 880,83.
Produtos de baixo valor
Entre os produtos com maior número de tentativas de fraude, itens de baixo valor também se destacaram. Um modelo de cadarço para tênis liderou o ranking, com 190 tentativas em 195 pedidos. Outros dois modelos do mesmo acessório registraram 138 e 80 tentativas, respectivamente. Juntos, os três produtos somaram 408 ocorrências.
Quando o critério é o valor associado às tentativas, o cenário muda: os produtos de maior valor ganham destaque. Um modelo de console de videogame concentrou R$ 186,9 mil em tentativas de fraude, enquanto um modelo de geladeira somou R$ 185,2 mil.
“Nem sempre o maior risco está associado aos produtos de maior valor. Itens de baixo ticket também podem ser utilizados por fraudadores para testar dados e validar se estão ativos antes de avançar para transações de maior valor. Esse comportamento reforça a importância de olhar não apenas para o valor da compra, mas também para a recorrência das tentativas e outros sinais que indiquem desvios do padrão esperado”, explica o executivo.
Como se proteger
Desconfie de ofertas com preços muito abaixo dos praticados pelo mercado, especialmente quando vierem acompanhadas de pressão para compra imediata. Confira se o endereço do site corresponde ao canal oficial da loja antes de inserir informações pessoais ou dados de pagamento. Também evite acessar promoções por links recebidos em mensagens, redes sociais, SMS ou e-mails de origem desconhecida e prefira digitar diretamente o endereço da loja no navegador.
Outras orientações importantes são para não fornecer senhas, códigos de autenticação ou dados bancários fora dos aplicativos e canais oficiais. Sempre conferir informações sobre vendedor, condições de pagamento e entrega antes de concluir compras em marketplaces. Além disso, somente inclua informações pessoais e dados de cartão somente em ambientes seguros e mantenha senhas fortes e diferentes para contas de lojas, e-mails e aplicativos financeiros.
Por fim, monitore seu CPF e suas movimentações financeiras regularmente para identificar rapidamente compras, contas ou outras operações que não reconhece. (Com informações da Agência Globo)
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