Quinta-feira, 08 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de outubro de 2018
A partir deste sábado (27), os boletos com valor a partir de R$ 0,01 somente serão aceitos pela rede bancária, e em qualquer canal de atendimento, se estiverem registrados na NPC (Nova Plataforma de Cobrança), sistema de liquidação e compensação desenvolvido pelos bancos.
Essa é a última etapa da implementação do sistema. Na fase anterior, a rede bancária deixou de aceitar os boletos de valor igual ou acima de R$ 100 que não estivessem cadastrados na base do sistema. A última etapa da implementação englobará os boletos de pagamento de cartão de crédito e de doações, que deverão estar registrados na Nova Plataforma até 10 de novembro.
Segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), se os boletos não estiverem cadastrados na base do novo sistema, os bancos irão recusá-los. Se isso acontecer, o pagador deve procurar o beneficiário, que é o emissor do boleto, para quitar o débito ou solicitar o cadastramento do título.
De acordo com a Febraban, com a inclusão e o processamento dos boletos desta fase no sistema, a Nova Plataforma terá incorporado 63% dos 4 bilhões de documentos emitidos anualmente no país. Os boletos de cartão de crédito e de doações, que entram no sistema em 10 de novembro, representam os 37% restantes.
No novo sistema, trafega um volume maior de dados, que são exigidos pelo Banco Central, tais como CPF ou CNPJ do emissor, data de vencimento, valor, além do nome e número do CPF ou CNPJ do pagador. De fato, a capacidade de processamento exigida é superior à de uma das grandes processadoras globais de cartões de crédito.
Por isso, segundo a Febraban, para fazer a migração do modelo antigo de processamento para o atual sem comprometer o funcionamento da Nova Plataforma, os bancos optaram por incluir os boletos no novo sistema por etapas, de acordo com o valor a ser pago. Esse processo começou em meados do ano passado para boletos acima de R$ 50 mil (os de menor volume) e alcança a fase mais complexa em outubro e novembro, de acordo com a federação.
Cheque especial
As medidas tomadas pelos bancos para diminuir as dívidas dos clientes no cheque especial começaram a surtir efeito. Em setembro, os débitos dos brasileiros caíram 2,9% e chegaram a R$ 22,7 bilhões na modalidade. A expectativa do Banco Central é que as taxas cobradas pelas instituições comecem a cair daqui para frente.
Em julho, entrou em vigor a nova regulação feita pela Febraban para criar uma porta de saída para quem está enrolado no cheque especial. A ideia é estimular o cliente a contratar um crédito pessoal e sair do vermelho. Essa linha também não é barata. Custa, em média, 122,2% ao ano. Mesmo assim, é muito menor que o custo do cheque especial, que é de 301,4% ao ano: os juros mais salgados do mercado.
Apesar de serem as maiores taxas, esse número já foi bem pior. Chegou a 330,6% ao ano. Apenas nos últimos 12 meses, esses juros caíram 19,9 pontos percentuais. “A pequena redução dos saldos do cheque especial talvez reflita as medidas tomadas”, disse o chefe-adjunto do departamento econômico do BC, Renato Baldini, que completou:
“Pode ser que observemos mais queda nos próximos meses e também a diminuição da taxa de juros, mas isso ainda não está sendo observado ainda.” O processo contribui para a queda da inadimplência, já que a dívida no cheque especial se torna impagável em pouco tempo. No mês passado, o nível do calote das famílias caiu ao menor nível da história no chamado crédito livre, ou seja, com exceção do financiamento da casa própria. Passou de 5% para 4,9%.
Segundo o BC, os bancos passaram a cobrar mais de pessoas físicas no mês passado. Em média, os clientes pagam 52,2% ao ano em todos os empréstimos (menos o imobiliário): 0,4 ponto percentual a mais do que em agosto. No entanto, as instituições não aumentaram os ganhos. Tiveram, sim, uma alta do custo de captação do dinheiro.
Os comentários estão desativados.