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Economia Bolsa brasileira atrai R$ 23 bilhões de estrangeiros em janeiro, valor quase igual ao fluxo anual de 2025

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O comportamento do Ibovespa acompanhou de perto essa mudança de humor. (Foto: Divulgação/B3)

O ingresso de capital estrangeiro na Bolsa de Valores brasileira (B3) até 28 de janeiro deste ano já superou R$ 23 bilhões e representa, até agora, o maior volume mensal desde janeiro de 2022, segundo dados do Valor Pro. O montante equivale a mais de 90% de todo o investimento estrangeiro registrado ao longo de 2025, quando entraram R$ 25,47 bilhões.

No mês, o Ibovespa, principal índice da B3, acumulou alta de 12,56%, a maior em cinco anos, ficando atrás apenas de novembro de 2020, quando o índice registrou valorização mensal de 15,90%. Além disso, é o melhor desempenho para o mês em vinte anos, abaixo apenas de janeiro de 2006, quando a Bolsa atingiu uma valorização de 14,2%.

Para Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, o movimento confirma uma tendência que já vinha sendo desenhada, embora tenha surpreendido pela intensidade.

“De fato, há uma entrada muito forte de recursos internacionais. Isso era algo que poderia ser esperado, talvez não nessa magnitude em janeiro”, diz.

Para Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, o volume de recursos estrangeiros confirma uma tendência que já vinha se formando, ainda que a intensidade tenha surpreendido. Na avaliação dele, parte do movimento está ligada ao cenário externo, com investidores reduzindo a exposição aos Estados Unidos diante das incertezas geradas pelas políticas econômicas de Donald Trump e buscando mercados que ofereçam maior retorno.

“O mundo passa a questionar um pouco a institucionalidade dos EUA, e isso faz com que investidores reduzam a alocação lá para buscar praças mais competitivas, que paguem taxas de juros mais elevadas e ofereçam diferencial atrativo”, afirma.

Nesse contexto, segundo ele, os emergentes tendem a se beneficiar, e o Brasil aparece como um dos principais destinos por reunir peso relevante no mercado de commodities e forte representatividade regional. Cerca de 30% do Ibovespa está ligado ao setor, e o país responde por mais da metade do mercado acionário da América Latina.

Figueredo acrescenta que, além do rali das matérias-primas, o mercado acionário local segue negociando a múltiplos mais baixos do que outros emergentes e vem apresentando resultados corporativos sólidos.

“A Bolsa brasileira ainda negocia com desconto em relação a outros emergentes e conta com empresas mostrando balanços fortes, com uma temporada positiva no terceiro trimestre e projeções favoráveis para o quarto”, diz.

No âmbito doméstico, ele avalia que o ambiente político em ano eleitoral pode gerar ruídos pontuais, mas observa que, até agora, os investidores têm absorvido esses riscos em uma estratégia mais ampla de alocação em emergentes.

“A discussão sobre o enfraquecimento do dólar favorece essas economias. Vimos algo parecido no boom das commodities entre 2002 e 2008, e agora há um movimento semelhante”, afirma.

A economista-chefe da GEP Brasil, Tania Grofredo, também associa o fluxo ao cenário internacional e à expectativa de cortes de juros nas principais economias.

“Com a perspectiva de queda das taxas nos Estados Unidos e no Brasil, aumenta o apetite por risco e a busca por mercados que ainda oferecem prêmio elevado”, diz.

Ela destaca que o diferencial de juros brasileiro e a exposição relevante a commodities ajudam a explicar a posição de destaque do país nesse processo.

“O Brasil acaba entrando naturalmente no radar por combinar juros altos, empresas grandes e liquidez, além do peso no índice regional”, afirma.

Já para Marcelo Freller, estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, o movimento precisa ser visto sobretudo como parte de uma rotação global.

“O principal ponto é que esse fluxo é global. Se a gente olha México, Chile e outros emergentes, o movimento é muito parecido. É pouco provável dizer que isso tem relação com fatores locais, sejam políticos ou econômicos”, diz.

Segundo ele, não houve mudanças relevantes no cenário doméstico nos últimos meses que justificassem sozinhas a valorização da Bolsa.

“Do ponto de vista político, não tivemos nenhuma novidade importante neste início de ano. E nem em juros ou commodities houve uma alteração expressiva que tornasse o mercado brasileiro repentinamente mais atrativo. As commodities que mais subiram foram ouro e prata, que não são centrais para o Brasil”, afirma.

Freller observa que o fluxo atual ocorre após um longo período de concentração dos investimentos globais nos Estados Unidos desde a crise de 2008.

“Foram 15 anos em que os ativos americanos dominaram e drenaram liquidez do resto do mundo. Há cerca de 13 meses vemos uma reversão gradual, com saída de recursos dos EUA em busca de outros mercados”, diz.

Ele pondera que, apesar das incertezas geopolíticas e da queda do dólar, os ativos americanos continuam relevantes.

“Ainda de longe os Estados Unidos são dominantes no longo prazo, mas com a Bolsa cara, juros em queda e um cenário político mais errático, é natural que investidores busquem alternativas que ficaram de lado por muito tempo”, afirma.

Para frente, Freller avalia que o processo de diversificação deve continuar de forma gradual, sem ruptura brusca.

“Ainda existe muito dinheiro alocado em ativos americanos, tanto por pessoas físicas quanto por instituições. Esse movimento tende a seguir, mas sem grandes quebras de paradigma”, diz.

No caso brasileiro, ele aponta que o ano eleitoral pode trazer um comportamento diferente do observado em outros emergentes.

“O Brasil entra em um período de maior volatilidade política. Os ativos podem se sair melhor ou pior do que os globais, mas dificilmente vão repetir exatamente o mesmo padrão. A tendência é algum descolamento, para cima ou para baixo”, afirma. As informações são do jornal O Globo.

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