Domingo, 10 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de maio de 2026
A semana encerrou em tom de recuperação no mercado, com os agentes buscando fôlego após o tombo generalizado da véspera. Na sexta-feira (8), o principal índice da bolsa brasileira operou em alta durante a maior parte da sessão, impulsionado por um cenário externo mais ameno e dados econômicos vindos dos Estados Unidos. Já o dólar à vista caiu 0,59%, fechando a R$ 4,89. Na semana, está 1,16% mais barato e, no ano até aqui, já cedeu 10,83% no mercado de câmbio local.
O Ibovespa subiu 0,49%, aos 184.108 pontos. Bem diferente da quinta-feira, quando caiu mais de 2% diante do mau humor externo, com incertezas sobre o fim da guerra no Oriente Médio; e as perdas das ações de empresas de peso, mais conhecidas como Bradesco e Petrobras. Na semana e no mês, a perda já soma 1,71%. Mas os ganhos da carteira no ano chegam a 14,24%.
O grande catalisador do dia foi o “payroll”, o relatório oficial de emprego dos EUA. O dado trouxe um misto de resiliência econômica com alívio inflacionário, exatamente o que o mercado precisava para estancar a sangria recente nos ativos de risco.
Os Estados Unidos criaram 115 mil vagas de trabalho em abril, um número que superou com folga a expectativa de 55 mil postos projetada pelo consenso do mercado. O dado reforça a tese de que a maior economia do mundo segue sólida, mesmo sob o peso de juros restritivos.
Por outro lado, o detalhe que realmente animou os investidores foi o salário médio por hora. Com alta de 0,2% no mês, o indicador ficou abaixo das projeções, sinalizando que a pressão de custos no mercado de trabalho pode estar perdendo tração.
Essa desaceleração salarial é vista como um “presente” para o Federal Reserve (Fed). Ao aliviar as preocupações inflacionárias, o dado reduz a necessidade imediata de posturas ainda mais agressivas por parte dos dirigentes da autoridade monetária americana.
No campo geopolítico, o clima de apreensão que derrubou os mercados na quinta-feira deu lugar a uma estabilidade cautelosa. O temor de uma escalada sem precedentes entre Estados Unidos e Irã foi substituído por um alívio parcial.
Dólar em baixa
O clima se refletiu também no mercado de câmbio. A moeda americana perdeu força frente às principais divisas globais e também ante o real, refletindo a leitura de que o Fed pode não precisar subir juros novamente tão cedo. A queda foi tamanha, que chegou ao menor patamar desde janeiro de 2024.
“O dólar nesse patamar representa uma mudança significativa no mercado, já que um real mais forte ajuda a aliviar a pressão inflacionária, especialmente sobre os custos de importação e os preços de combustíveis. Para o mercado de renda variável, essa queda já está sendo sentida com a entrada expressiva de investidores estrangeiros na B3”, avalia Sidney Lima, Analista da Ouro Preto Investimentos.
Se seguir a toada na próxima semana, a valorização do real frente ao dólar deve atrair uma quantidade significativa de capital estrangeiro para o mercado de ações brasileiro, especialmente no Ibovespa, com um foco crescente em empresas de commodities, bancos e outros setores que se beneficiam do câmbio favorável.
Essa é a avaliação de João Kepler, presidente da Equity Group, que destaca que é preciso acompanhar de perto as questões fiscais e políticas internas, que podem ainda gerar volatilidade no mercado. (Com informações do Valor Investe e InfoMoney)
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