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Brasil Bolsonaro abre as chefias do Ministério das Relações Exteriores a não diplomatas

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Chanceler brasileiro Ernesto Araújo criticou a volta do kirchnerismo ao poder na Argentina. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Uma mudança na organização interna do Ministério de Relações Exteriores vai permitir que profissionais de fora da carreira diplomática assumam cargos de chefia.

A modificação se dará na gestão de Ernesto Araújo à frente do Itamaraty e consta na Medida Provisória assinada nesta terça-feira (1º) pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) logo após a posse e publicada em Diário Oficial da União.

Trata-se de uma mudança importante na organização interna do ministério implementada pelo chanceler. Bolsonaro assinou nesta terça a MP que reestrutura a composição do governo ao estabelecer a existência de 22 ministérios.

O texto diz que o Serviço Exterior Brasileiro é formado por servidores, ocupantes de cargos de provimento efetivo, capacitados profissionalmente como agentes do Ministério das Relações Exteriores, no País e no exterior, organizados em carreiras definidas e hierarquizadas.

Pela redação dada pelo novo governo, ficam excluídas dessa característica “as nomeações para cargos em comissão e funções de chefia, incluídas as atribuições correspondentes, nos termos do disposto em ato do Poder Executivo”.

Araújo é diplomata de carreira do Itamaraty e assume a chancelaria prometendo acabar com o que considera ideologia de esquerda na pasta. Recentemente, ele disse que criaria um departamento de Agricultura no MRE afirmando que em governos do PT o Itamaraty foi a “casa do MST” e que agora estará à disposição do produtor.

O ministro

O presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou em novembro que o embaixador Ernesto Araújo seria seu ministro das Relações Exteriores.

“A política externa brasileira deve ser parte do momento de regeneração que o Brasil vive hoje. Informo a todos a indicação do Embaixador Ernesto Araújo, diplomata há 29 anos e um brilhante intelectual, ao cargo de Ministro das Relações Exteriores”, escreveu Bolsonaro na ocasião do anúncio em uma rede social.

Araújo, 51, é diretor do Departamento dos Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos. Depois de ter feito o anúncio por meio das redes sociais, Bolsonaro deu entrevista coletiva em Brasília ao lado de Araújo, a quem definiu como uma pessoa “experiente apesar de jovem”.

“Conversamos longamente nos últimos dias e estamos indicando ele aí para ocupar a chefia do MRE”, disse na época o então presidente eleito. Bolsonaro disse que a escolha se deveu ao perfil de Araújo e a sua vida pregressa.

Ele defendeu que o futuro ministro motive a diplomacia brasileira e incremente o comércio “sem viés ideológico”, em referência contrária à política externa dos governos do PT, de aproximação de países de regimes de esquerda, como Cuba e Venezuela.

O diplomata serviu entre 2010 e 2015 na Embaixada do Brasil em Washington e até a nomeação tinha o cargo de diretor do Departamento de Estados Unidos, Canadá e Assuntos Interamericanos.

Sua experiência nos Estados Unidos é considerada essencial para a política externa de Bolsonaro, que deve ser muito afinada com o governo de Donald Trump.

Espera-se alinhamento em votações relacionadas a Israel, como já vem ocorrendo, e uma ênfase na integração comercial com os EUA. Também deve haver menos foco em políticas identitárias e defesa de minorias em foros multilaterais.

Antes dos EUA, Araújo serviu no Canadá, na Alemanha e na Bélgica. É ávido leitor de obras sobre história militar e fã de futebol americano. Gaúcho muito reservado, é considerado bastante afável. É casado, tem uma filha de 12 anos e dois enteados.

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