Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020

Porto Alegre
Porto Alegre
23°
Fair

Brasil Bolsonaro afirmou que ele é quem manda, desautorizou o seu vice, descartou constituinte e disse que “não existe” autogolpe

"Estamos disputando as eleições porque nós acreditamos no voto popular, e seremos escravos da nossa Constituição", afirmou Bolsonaro. (Foto: Reprodução de TV)

O candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, desautorizou na segunda-feira (08), em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, o general Hamilton Mourão, candidato a vice em sua chapa.

O vice havia afirmado que a elaboração de uma nova Constituição não precisaria passar por eleitos, sugeriu uma constituinte de notáveis e cogitou, em caso de anarquia, um “autogolpe” por parte do presidente com apoio das Forças Armadas. Após uma apresentação inicial de dois minutos, Bolsonaro respondeu à seguinte pergunta do jornalista William Bonner:

“No mês passado, durante uma palestra, o seu vice, general Hamilton Mourão, disse que a Constituição brasileira de 1988 foi um erro. A chamada Constituição cidadã, que é o que garante a nossa democracia e que acabou de completar apenas 30 anos. O general Mourão disse que a elaboração de uma Constituição nova ‘não precisa ser feita por eleitos pelo povo’, que poderia ser feita por um conselho de notáveis, nas palavras usadas pelo seu vice, e apenas referendada, depois, pelos eleitores. Juristas dizem que a nossa Constituição não permite a convocação de uma constituinte, não há previsão para isso. Existe uma previsão de reforma por emenda constitucional, que precisa da aprovação de 3/5 dos deputados e dos senadores. E essas emendas, o senhor sabe, não podem mudar cláusulas pétreas. Essas não podem ser alteradas de jeito nenhum. Também em setembro, em uma entrevista à GloboNews, o general Mourão admitiu a possibilidade de o presidente da República perpetrar o chamado autogolpe. O que o senhor diria aos seus críticos, que se preocupam com a democracia brasileira no caso de o senhor se eleger presidente?”

Ao responder, Bolsonaro declarou que Mourão foi “infeliz” ao dar essas declarações e que, apesar de o colega de chapa ser general e ele capitão, quem mandará no governo será o presidente. “Ele é general, eu sou capitão. Mas eu sou o presidente. O desautorizei nesses dois momentos. Ele não poderia ir além daquilo que a Constituição permite. Jamais eu posso admitir uma nova constituinte, até por falta de poderes para tal. E a questão de autogolpe não sei, não entendi direito o que ele quis dizer naquele momento. Mas isso não existe”, disse o candidato do PSL.

“Estamos disputando as eleições porque nós acreditamos no voto popular, e seremos escravos da nossa Constituição. Repito: o presidente será o senhor Jair Bolsonaro. E nos auxiliará sim o general Augusto Mourão… Hamilton Mourão. E ele sabe muito bem da responsabilidade que tem por ocasião da sua escolha para ser vice”, complementou.

Durante a entrevista, Bolsonaro disse que a nomeação de Hamilton Mourão para a chapa se deveu à necessidade de se demonstrar “autoridade”, mas “sem autoritarismo”. O candidato do PSL afirmou ainda que falta “tato” a Mourão, porque o colega de chapa não é do meio político, e sim do meio militar.

“O que falta um pouco ao general Mourão é um pouco de tato, um pouco de vivência com a política. E ele rapidamente se adequará à realidade brasileira e à função tão importante que é a dele. Nesses dois momentos ele foi infeliz, deu uma canelada. Mas repito: o presidente jamais autorizaria qualquer coisa nesse sentido”, reiterou Bolsonaro.

Voltar Todas de Brasil

Compartilhe esta notícia:

Eleito deputado, o ex-ator Alexandre Frota pode ser preso por dever mais de 60 mil reais de pensão alimentícia
Secretários da prefeitura de Bagé foram afastados por supostas fraudes em licitações
Deixe seu comentário
Pode te interessar