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Política Bolsonaro articula eleição do Senado de olho na anistia

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Possível acordo incluiria apoio à reeleição de Davi Alcolumbre para o comando da Casa. (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acompanha de perto as articulações políticas da direita em torno da eleição para a Presidência do Senado Federal e tenta influenciar as negociações sobre a sucessão no comando da Casa. A principal preocupação do ex-presidente é garantir apoio político à aprovação de uma proposta de anistia que possa beneficiá-lo e evitar o cumprimento da pena de 27 anos de prisão à qual foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

A anistia é um instrumento jurídico que consiste no perdão concedido pelo Estado a determinadas infrações, extinguindo a possibilidade de punição criminal nos casos abrangidos pela medida. No debate político atual, a proposta defendida por aliados de Bolsonaro busca beneficiar os condenados pelos atos relacionados à tentativa de ruptura institucional e aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. A medida também poderia alcançar o próprio ex-presidente, dependendo dos termos e do alcance do texto aprovado pelo Congresso Nacional.

Nesse cenário, Bolsonaro considera diferentes possibilidades de composição política para fortalecer a iniciativa no Senado. Segundo informações de setores do Partido Liberal (PL), entre as alternativas em discussão está até mesmo um eventual apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para a Presidência da Casa. A possibilidade chama atenção porque poderia representar o afastamento do partido de uma candidatura própria, ligada ao senador Rogério Marinho (PL-RN), aliado de Bolsonaro.

A avaliação de integrantes do PL é que a pauta da anistia ocupa posição prioritária para o ex-presidente, ficando acima de outros interesses eleitorais e partidários da legenda. Dessa forma, Bolsonaro estaria disposto a considerar acordos que, em outras circunstâncias, poderiam ser vistos como desfavoráveis ao projeto político do partido, desde que contribuam para viabilizar a proposta.

As articulações também envolveriam conversas entre setores do bolsonarismo e representantes da esquerda. A possibilidade de entendimento entre grupos políticos adversários estaria relacionada à construção de um acordo que permita a manutenção de Alcolumbre no comando do Senado, mesmo diante das divergências públicas sobre a concessão de anistia aos envolvidos nos episódios de 8 de janeiro e na tentativa de golpe.

Uma das possibilidades discutidas seria a existência de um entendimento político em que representantes da esquerda mantenham publicamente a posição contrária à anistia, mas não atuem de maneira efetiva para impedir um eventual acordo. Nesse cenário, a composição poderia favorecer a reeleição de Alcolumbre sem exigir que os grupos envolvidos assumissem publicamente uma mudança de posicionamento sobre o tema.

A permanência de Alcolumbre na Presidência do Senado também é considerada de interesse do Palácio do Planalto, que vê no atual comando da Casa uma possibilidade de continuidade nas relações institucionais com o Congresso Nacional. (Com informações da colunista Andréia Sadi, do portal g1)

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