Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de outubro de 2018
Ao consolidar o apoio das bancadas ruralista e evangélica, e já contando desde sempre com o engajamento majoritário da bancada da bala, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) segue o caminho do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB) na formação de uma eventual base parlamentar para um futuro governo. Sem negociar com cúpulas partidárias, Bolsonaro vem conseguindo angariar apoiadores no baixo clero e no varejo. Os representantes das bancadas destacam que no caso de Cunha foi ele quem buscou o apoio de forma ostensiva, enquanto que no caso de Bolsonaro o acerto é uma demanda de reação aos movimentos de suas bases.
O coordenador dessa estratégia é o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que já tinha anunciado antes de começar a campanha a adesão de mais de cem deputados ao candidato, mas sem divulgar uma lista. O apoio das bancadas apelidadas de BBB – boi, bala e Bíblia – foi fundamental para vitória de Cunha na eleição para presidência da Câmara em 2015 e lhe deu sustentação até que acabasse afastado em meio a uma série de denúncias de corrupção, que inclusive o levaram posteriormente à prisão.
A coordenadora da bancada ruralista, Tereza Cristina (DEM-MS), afirma que no caso de Cunha o apoio foi construído em cima de propostas que se desejavam aprovar, enquanto que a declaração de voto em Bolsonaro decorre de uma pressão das bases eleitorais dos deputados.
“O apoio ao Eduardo Cunha era para que temas que são caros ao setor andassem e, na época, ele abriu as portas e nós conseguimos avançar em muitas pautas complicadas. Hoje é completamente diferente, hoje vem da base. O setor produtivo está apoiando o Bolsonaro e essa pressão foi ficando cada vez maior”, afirmou Tereza Cristina.
Estrela do debate
De casa, Jair Bolsonaro foi a estrela do debate de quinta-feira na TV Globo. Fosse uma eleição comum, menos radicalizada, o risco de o deputado do PSL ser afetado nas urnas diante de tantos ataques — muitos deles precisos — era real. Ao longo de mais de duas horas, foram constantes as críticas às propostas polêmicas dos aliados do capitão reformado, que sugeriram criação de imposto e fim do 13º salário, e a seu perfil autoritário.
É difícil, no entanto, acreditar que os ataques atingirão o eleitorado disposto a votar no líder das pesquisas. Todos os temas levantados contra Bolsonaro já foram repetidamente alardeados nas propagandas eleitorais no rádio e na TV, e o candidato só ampliou sua liderança. Para piorar, Bolsonaro pôde aproveitar o espaço grátis de quase meia hora para falar sozinho em outro programa televisivo.
Segundo colocado nas pesquisas, Fernando Haddad optou por dobrar a aposta na agenda da esquerda. A menos que as pesquisas internas do PT demonstrem um risco de Ciro Gomes tomar sua vaga no segundo turno, a opção é de difícil compreensão. No debate, Haddad fez intensa defesa do ex-presidente Lula, chamando sua condenação de “arbitrária” e qualificando-o como “preso político”, embora o Datafolha tenha mostrado esta semana apoio da maioria dos brasileiros à prisão dele.
Embora necessariamente precise do apoio de eleitores da centro-direita para obter sucesso em um eventual segundo turno, Haddad fez duros ataques ao PSDB, criticou ruralistas, qualificou a reforma da Previdência como “nefasta” e se negou a fazer qualquer autocrítica quando foi instado por Marina Silva.
Ciro Gomes lutou o quanto pode para convencer o telespectador de que ele pode evitar a disputa final entre Haddad e Bolsonaro. Carismático, demonstrou vigor, atacou intensamente o deputado do PSL, criticou o governo Temer e implorou até o voto de William Bonner.
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