Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de maio de 2019
O presidente Jair Bolsonaro afirmou na sexta-feira (10) que a “imagem distorcida” da Caixa Econômica Federal se deu em razão de indicações políticas feitas por governos anteriores para cargos no banco. De acordo com Bolsonaro, a prática “não tinha como dar certo”.
Nos últimos anos, irregularidades na Caixa ganharam destaque no noticiário com as operações Lava-Jato e Greenfield, que apuraram suspeitas de corrupção no banco.
Em janeiro de 2018, o então presidente Michel Temer, afastou quatro vice-presidentes do banco. Ele tomou a decisão após recomendações do Ministério Público Federal do Distrito Federal e do Banco Central. As recomendações tiveram como base suspeitas de corrupção investigadas pelo MPF e pela Polícia Federal.
Bolsonaro falou sobre as indicações técnicas para o banco em um evento com funcionários da Caixa, realizado em um hotel em Brasília, próximo ao Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.
“Me elegi e a decisão foi a seguinte, como havia falando durante anos: não teremos indicações políticas. A imagem distorcida da Caixa era em função disso”, disse o presidente.
Segundo Bolsonaro, partidos políticos dividiam espaços em diretorias e vice-presidências da Caixa.
“Cada partido tinha uma diretoria, tinha uma vice-presidência, e, com todo o respeito, o presidente, para ser educado, não falava muito. Não tinha como dar certo”, declarou.
No meio do discurso, Bolsonaro defendeu as indicações técnicas no governo e a busca por melhorar a produtividade. Ele afirmou que é natural surgirem problemas, mas, segundo o presidente, serão contornados.
“Alguns problemas? Sim. Talvez tenha um tsunami a semana que vem, mas a gente vence esse obstáculo, aí, com toda a certeza. Porque somos humanos, alguns erram, uns erros são perdoáveis, outros, não. Assim é na nossa vida familiar também”, disse Bolsonaro.
Após o evento da Caixa, Bolsonaro viajou para o Paraná, para agendas em Foz do Iguaçu e Curitiba.
Lava-Jato
Durante a 11ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada em 2015, a PF (Polícia Federal) investigava fraudes que iam além da Petrobras, como irregularidades em contratos publicitários da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde.
Sete pessoas foram presas na ocasião, entre elas três ex-deputados: Luiz Argôlo (SDD-BA), Pedro Corrêa (PP-PE) e André Vargas (sem partido). De acordo com a Polícia Federal, a agência de publicidade dirigida por Ricardo Hoffmann – um dos presos – era contratada pela Caixa e pelo Ministério da Saúde.
Ela fazia subcontratações de fornecedoras de materiais publicitários que eram de fachadas e tinham como sócios André Vargas e seu irmão, Leon Vargas.
Segundo o delegado federal Igor Romário de Paula, o Ministério da Saúde e a Caixa Econômica contratavam uma empresa de publicidade. Ela subcontratava empresas em que o Leon e o André são sócios. Essas empresas não existiam fisicamente e recebiam um percentual equivalente a 10% do contrato firmado com a empresa principal. “Então, nos leva a crer que, provavelmente, seja um percentual a ser desviado para agentes públicos”, explicou o delegado na época.
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