Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 30 de abril de 2020
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar governadores por conta das medidas de restrição e quarentena adotadas pelos mesmos. Na manhã dessa quinta-feira (30), o chefe do Executivo disse que os líderes estaduais não conseguiram diminuir a curva de transmissão do coronavírus.
“O Supremo decidiu que as medidas para evitar ou para fazer a curva ser achatada caberiam a governadores e prefeitos. Não achataram a curva. Governadores e prefeitos que tomaram medidas bastante rígidas não achataram a curva”, apontou o presidente, na saída do Palácio da Alvorada, pouco antes de embarcar para Porto Alegre para participar da solenidade de transmissão de cargo do comandante militar do Sul.
Bolsonaro ainda colocou em questão os números de óbitos pela doença, em especial em São Paulo. “A curva tá aí. Partindo do princípio que o número de óbitos é verdadeiro. Cada vez mais chegam informações, que o próprio Diário Oficial lá do Estado de São Paulo está escrito lá que na dúvida sobre a causa da morte bota coronavírus para inflar o número para fazer uso político disso”, disse.
O chefe do Executivo chamou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) de ‘gravatinha’ o acusou de fazer ‘politicalha’ em meio à pandemia.
“É o governador gravatinha de SP fazendo politicalha em cima de mortes. Zombando de familiares que tiveram seus entes queridos que morreram por vírus ou de outra coisa. É uso político do governador João Doria com essas pessoas.”
Bolsonaro não especificou a qual norma estadual se referia.
O governo de São Paulo adotou um protocolo com regras de segurança para o manejo de cadáveres durante a pandemia. Sob o argumento de proteção dos profissionais que trabalham com esses corpos, uma vez que há risco de transmissão por fluídos corporais, o protocolo estabelece que qualquer cadáver, independente da causa mortis, pode ser considerado um portador potencial, mas isso não significa que todos esses casos sejam contabilizados como casos de infectados pelo coronavírus.
O presidente também afirmou que o vírus está sendo politizado e que o governo federal “fez tudo” o que podia no enfrentamento ao coronavírus. Ele sugeriu, no entanto, que alguns Estados estejam desviando recursos repassados para o combate à pandemia.
“O governo federal fez tudo. O Paulo Guedes [ministro da Economia], em contato com o Congresso e governadores, liberou recursos para tudo. Fizemos tudo que foi possível e mais alguma coisa. Agora, cabe aos governadores gerir esses recursos. O que mais nós temos, por parte de alguns Estados, é desvio de recursos. É isso que está acontecendo. Por isso precisamos da Polícia Federal isenta, sem interferência, para poder coibir possíveis abusos”, concluiu.
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