Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2020

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Brasil Bolsonaro disse que poderia usar uma caneta Bic para comprar apoio, mas não vai

O presidente diz não crer que filho seja punido. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Acusado por integrantes do PSL de “comprar votos” na Câmara para tornar o filho Eduardo Bolsonaro (SP) líder da bancada, o presidente Jair Bolsonaro afirmou ter uma “caneta Bic poderosíssima”, mas não pretende usá-la em benefício próprio ou da família. “Temos ministérios, estatais, diretorias de banco. Se eu quisesse, poderia usar isso aí para comprar alguns apoios. Mas não pretendemos fazer isso. Não estamos fazendo”, disse o presidente em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast. Bolsonaro recebeu a reportagem no hotel em Riad, na Arábia Saudita, onde cumpre a última etapa do seu tour asiático.

O presidente alegou que a briga no PSL não é por dinheiro, mas para saber para onde estão indo os recursos públicos destinados à legenda. “Quero ter um partido onde eu tenha as ações, não é para mexer com Fundo Partidário”, argumentou. Bolsonaro afirmou, ainda, não ver uma eventual saída do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) da prisão como fortalecimento da oposição ao seu governo. “A esquerda, no meu entendimento, não tem futuro no Brasil num curto espaço de tempo.”

1) O sr. disse que pode criar um novo partido. O sr. continua aberto a tudo em relação ao PSL?

 

Sim. Sou paraquedista e quando sai do avião tem que ter um paraquedas reserva se algo der errado. Temos que estar sempre preocupados com possíveis surpresas, ainda mais no meio que eu vivo. Se na política eu não me preocupar com fatos que possam mudar a vida das pessoas, você não é um político, você é um aventureiro. Quero ter um partido onde eu tenha as ações, não é para mexer com Fundo Partidário. Eu tenho a (caneta) Bic que tem um poder enorme. Temos ministérios, estatais, diretorias de banco. Se eu quisesse, poderia usar isso aí para comprar alguns apoios. Mas não pretendemos fazer isso. Não estamos fazendo. A briga (com o PSL), da minha parte, não é por dinheiro do fundo, minha caneta é poderosíssima. Eu quero é transparência.

2) Além das questões internas do PSL, o sr. acha que falta um partido de direita forte no Brasil?

Nunca teve partido de direita no Brasil. O único de direita que tinha dentro da Câmara e se expressava abertamente desde 1991 era eu. Não tinha mais ninguém. Com a minha onda apareceu mais um monte de gente se dizendo de direita. Eles não sabem o que é ser de direita. Precisam ter humildade para entender e ouvir pessoas mais velhas, que há mais tempo labutam nessa área. Já a esquerda está muito bem estruturada, a gente não vê a esquerda brigando entre si. A esquerda está até preocupada porque não está trabalhando, eles não têm que fazer oposição. A oposição é feita do lado de cá. Isso tem que deixar de existir.

3) E como está a situação no PSL?

Como as coisas estão indo, eu estou tentando serenar os ânimos, se eu sair do partido ele se acaba, não vai mais ter sucesso. O PSL vai se pulverizar. E numa futura janela muita gente vai sair se o partido continuar dessa maneira. A gente quer mostrar para eles, alguns são ávidos por cargos, eu passei 20 anos no Congresso e não tive cargo no governo.

4) Qual é o problema no partido?

Eu sonho com um partido transparente. A palavra chave é essa. Se alguns radicais que estão contra mim mostrarem as contas não tem problema nenhum. Simplesmente volta a conviver numa boa. Se bem que o problema da nossa bancada é que é muito jovem e está na cabeça do jovem, às vezes, se transformar em uma pessoa famosa. Lá alguns acham que podem mudar o mundo de uma hora para a outra por ter sido eleito deputado com muitos votos, e alguns sem a consciência de que grande parte daqueles votos foi em função de uma pessoa que estava naquele momento disputando a Presidência.

5) A possibilidade de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sair da prisão pode fortalecer a esquerda?

Não. A esquerda no Brasil está perante a opinião pública bastante desgastada. Afinal, a corrupção foi praticada de forma ampla, geral e irrestrita. Isso foi descoberto, têm muitas pessoas presas e outras respondendo a processos. A esquerda, no meu entendimento, não tem futuro no Brasil num curto espaço de tempo. Mas o que a gente precisa fazer, tenho conversado, é ter um sistema de votação onde se possa fazer uma auditoria e onde o voto do João ou da Maria, uma vez colocado na urna ou de forma eletrônica, ele possa, além de ser auditado, garantir para aquele eleitor que foi contado para aquele candidato seu.

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