Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de maio de 2020
O presidente Jair Bolsonaro chamou de “fofoca” a acusação feita pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro, de que ele teria atuado para interferir na PF (Polícia Federal). A suposta interferência está sendo investigada, em inquérito aberto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Na saída do Palácio da Alvorada, na manhã desta segunda-feira (4), Bolsonaro mostrou a apoiadores um papel com a reprodução da troca de mensagens apresentada por Moro – e revelada pela TV Globo. Embaixo, havia uma mensagem em vermelho com a frase “isso é fofoca”.
“Essa é a acusação mais grave contra a minha pessoa”, afirmou aos apoiadores, em tom de ironia. “Tem um print da matéria do ‘Antagonista’. Embaixo está escrito… Eu escrevi embaixo ‘mais um motivo para troca’. Estão me acusando por causa disso e dizendo que estou interferindo na Polícia Federal, não é isso? Eu estou dizendo que é fofoca aqui embaixo, tá ok? O complemento vem depois.”
No pedido de abertura de inquérito, o procurador-geral da República, Augusto Aras, aponta os possíveis crimes de advocacia administrativa, coação no curso do processo, obstrução de Justiça, falsidade ideológica, corrupção passiva privilegiada e prevaricação. A investigação também se estende a Moro, que, em tese, pode ter cometido o crime de denunciação caluniosa, além de crimes contra a honra. O inquérito foi aberto com base na entrevista em que Moro anunciou a saída do governo e citou a tentativa de interferência por meio da troca do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, e superintendentes da corporação no Rio e em Pernambuco.
Depoimento
O ex-juiz Sérgio Moro prestou no sábado mais de oito horas de depoimento sobre as acusações feitas contra o presidente Jair Bolsonaro durante seu discurso de despedida do comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Ao depor, o ex-ministro reiterou acusações e entregou novas provas contra Jair Bolsonaro sobre sua atuação para intervir diretamente na Polícia Federal.
O ex-ministro colocou à disposição seu celular, com acesso a diversas mensagens de aplicativo de interesse dos responsáveis pelo inquérito.
O depoimento de Moro foi determinado pelo ministro do STF Celso de Mello, que supervisiona as investigações. O inquérito aberto pelo procurador-geral da República investiga o teor do discurso de Moro ao se despedir do cargo de ministro da Justiça, no dia 24 de abril, quando acusou Bolsonaro de tentar interferir indevidamente na PF.
Os comentários estão desativados.