Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2020
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou, em entrevista veiculada na noite da sexta-feira (20) no SBT, medidas adotadas por autoridades estaduais e municipais como o fechamento de igrejas durante a pandemia do coronavírus.
“Muita gente para dar satisfação ao seu eleitorado toma providências absurdas. Fechando shopping, tem gente que quer fechar igreja, [que] é o último refúgio das pessoas”, declarou o presidente ao apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho. A entrevista foi gravada na quinta (19).
“Eu acho que o pastor vai saber conduzir o seu culto. Ele vai ter consciência —o pastor, o padre —, se a igreja está muito cheia, falar alguma coisa. Ele vai decidir lá”, acrescentou Bolsonaro, que também argumentou que a garantia de culto é um direito no Brasil.
Diante da escalada de casos confirmados do novo coronavírus no Brasil e da recomendação de sanitaristas de que a redução do contato social é medida efetiva para reduzir a contaminação, governadores e prefeitos têm adotados medidas para restringir a circulação de pessoas. Em São Paulo, o governador João Doria (PSDB) recomendou que templos e igrejas na região metropolitana não realizem cultos por um período de 60 dias.
O tucano disse que a orientação não significa que os templos religiosos não poderão abrir durante a crise sanitária, mas os fiéis devem tomar certos cuidados, entre eles manter distância um dos outros para evitar a propagação da doença. O Ministério Público do estado fez, por sua vez, uma cobrança para que o governador e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), fechem espaços que recebem aglomerações, entre eles igrejas.
Cultos suspensos
O pastor Silas Malafaia afirmou na sexta-feira (20), após uma semana de relutância, que irá suspender os cultos da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, que tem 116 congregações no Brasil. Em vídeo publicado hoje nas redes sociais, Malafaia informou que irá interromper as reuniões com fiéis diante do avanço do novo coronavírus e que, também por causa da epidemia, ampliará o horário de funcionamento de seus templos.
— Eu disse que (havia) três motivos para eu poder parar os cultos nas igrejas. Um, decreto de estado de emergência, né? Aí tem que parar. Dois, redução drástica de ônibus e de transporte. Três, redução judicial. O Ministério Público tentou impedir o meu culto aqui, mas o juiz não deu. Mas agora o governador e o prefeito estão reduzindo drasticamente circulação de transporte. Isso está acontecendo em várias cidades do Brasil. Então, eu vou suspender os meus cultos. Mas tem uma coisa: eu vou ampliar a hora de igreja aberta, que igreja aqui não vai ficar fechada, não — afirmou Malafaia.
Desde o início da semana, quando governadores de diferentes estados começaram a restringir a circulação de pessoas como forma de evitar o contágio, Malafaia vinha se recusando a interromper os cultos.
Somente no Rio de Janeiro, segundo estado mais afetado pela doença Covid-19, a igreja do pastor tem 92 congregações. Em São Paulo, são três. Nos dois estados há recomendação do poder público para que as pessoas evitem aglomerações, inclusive em eventos religiosos, e permaneçam em casa. No caso paulista, a sugestão consta em um decreto assinado pelo governador João Doria (PSDB).
Criticado nas redes sociais por ter mantido o cronograma inalterado de seus cultos e ainda ter participado deles junto com centenas de fiéis ao longo da semana, Malafaia vinha dizendo em suas pregações que havia “asneiras” circulando na internet e que as igrejas não poderiam ser fechadas por ordem do poder Executivo, apenas do Judiciário.
Na quinta-feira, o Ministério Público (MP) do Rio de Janeiro chegou a entrar com uma ação contra Malafaia e sua igreja com o objetivo de obrigá-lo a fechar as congregações no estado. O pedido, negado em primeira instância pelo Tribunal de Justiça do Rio, previa multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.
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