Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 16 de outubro de 2018
Na tarde dessa terça-feira, os candidatos que disputam o segundo turno da corrida ao Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, trocaram mensagens ríspidas no Twitter.
O presidenciável do PT criticou a estratégia do concorrente, que tem se baseado nas redes sociais, sobretudo após a vitória no primeiro turno. “Tuitar e fazer live é fácil, deputado. Vamos debater frente a frente, com educação, em uma enfermaria se precisar”, desafiou o petista no microblog. “O povo quer ver você aparecer na entrevista de emprego.”
Pouco tempo depois, o candidato do PSL rebateu, chamando Haddad de “Andrade” e atacando indiretamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba (PR) desde o dia 7 de abril. “Senhor Andrade, quem conversa com poste é bêbado”, provocou. “Existe um que está preso por corrupção e você vai toda semana na cadeia visitá-lo intimamente além de receber ordens! Cuidado que pelo desenrolar das notícias reveladas você pode ser o próximo!”
“Fake news” no WhatsApp
Também nessa terça-feira, integrantes do Conselho Consultivo para notícias falsas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) realizaram uma reunião à distância com representantes da plataforma de troca de mensagens WhatsApp. O objetivo foi discutir formas de garantir o alcance de respostas diante da divulgação de notícias falsas dentro do aplicativo, uma das principais redes sociais no País.
A videoconferência foi uma providência decidida em reunião realizada na semana passada. Integrantes do colegiado manifestaram receios em relação à disseminação de notícias falsas na plataforma, especialmente mensagens e vídeos colocando em dúvida a lisura do processo eleitoral e apontando supostas fraudes nas urnas.
Uma das preocupações manifestadas por integrantes do órgão após o encontro foi como encontrar meios para garantir que desmentidos e direitos de resposta alcançassem no Whatsapp usuários atingidos pelas mensagens iniciais, prática mais comum em redes como Facebook e Twitter.
Conforme o vice-procurador eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, na videoconferência de hoje o WhatsApp se propôs a disponibilizar ferramentas ao TSE já adotadas por agências de checagem de conteúdos enganosos e fabricados. Mas o vice-procurador não detalhou que sistemas poderão ser aplicados e qual a serventia deles.
De acordo com Jacques de Medeiros, os representantes da plataforma relataram encontrar “dificuldades” para aplicar a metodologia de outras redes sociais, como mecanismos de checagem de fatos (como no Facebook e no Google) e possibilidades de veiculação de direito de resposta aos mesmos usuários alcançado pelas mensagens originais consideradas falsas. O WhatsApp estaria “aquém disso”, nas palavras do procurador.
Nesta quarta-feira, a presidente do TSE, ministra Rosa Weber, deve se reunir com representantes da candidaturas de Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Objetivo: discutir o problema das notícias falsas no pleito eleitoral.
Propostas
A ONG Safernet, uma das participantes do conselho consultivo do TSE, apresentou um documento à parte com propostas ao WhatsApp. Entre elas estão a redução da possibilidade de encaminhamento de mensagens para até cinco destinatários (como adotado na Índia) e a limitação da possibilidade de criação de grupos e de participação neles por um mesmo usuário, o que abre espaço para abusos de sistemas automatizados.
A organização também defendeu que o WhatsApp adote sistemas de verificação de conteúdos e de indicação daquelas mensagens atestadas como falsas por agências de checagem, estabelecendo limitadores para seu compartilhamento em massa. Por fim, o documento de recomendações chama a empresa a atuar em conjunto com o TSE para evitar que seja um instrumento de massificação de notícias falsas e interferência eleitoral.
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