Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de setembro de 2019
Momentos antes de descer a rampa que dá acesso à sala de eventos do Palácio do Planalto ao lado do ministro da Justiça, Sérgio Moro, há uma semana, em um gesto simbólico da reaproximação, o presidente Jair Bolsonaro e o ex-juiz tiveram uma dura conversa.
Segundo interlocutores dos dois lados, o encontro quase resultou na saída de Moro do governo. A situação foi contornada, no entanto, a tempo de evitar esse desfecho, após o presidente ser convencido de que teria muito a perder com uma eventual demissão do ex-juiz da Lava-Jato, idolatrado por grande parte dos eleitores.
Durante o evento, que marcava o lançamento de um programa da pasta de Moro, o presidente elogiou o ministro, a quem se referiu como “patrimônio nacional”. Um dos ingredientes que azedou a conversa de horas mais cedo foi justamente a insistência do presidente em fazer alterações no comando da Polícia Federal.
Bolsonaro repete que foi eleito para alterar a forma como o País vinha sendo conduzido e que, se não for para fazer isso, não valeria a pena ocupar o cargo máximo do País. Essa posição de Bolsonaro foi explicitada em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, em que o presidente disse ser necessário dar uma “arejada” na PF e que já conversou com Moro sobre a troca do diretor-geral da instituição, Maurício Valeixo.
O atual diretor-geral é ligado ao grupo de Leandro Daiello, mais longevo a ocupar o cargo máximo da PF. Ele ficou no posto por sete anos, de 2011 até 2017. Apesar de ter chefiado a corporação durante os dois mandatos da ex-presidente Dilma Rousseff, foi em sua gestão que a PF deflagrou operações que atingiram a alta cúpula do PT, como a Lava-Jato.
Valeixo comandou a Diretoria de Combate do Crime Organizado na gestão Daiello e foi superintendente da PF no Paraná até ser convidado por Moro para assumir a diretoria-geral.
Embora a indicação para o comando da PF seja uma atribuição do presidente, tradicionalmente é o ministro da Justiça quem escolhe. O nome que tem sido ventilado para o cargo, de Anderson Gustavo Torres, atual secretário de Segurança do Distrito Federal, é próximo do deputado estadual Fernando Francischini (PSL-PR), de quem foi chefe de gabinete na Câmara dos Deputados. Embora aliado, Francischini se afastou de Bolsonaro na campanha eleitoral e abriu mão de tentar se reeleger deputado federal para dar espaço ao filho, deputado Felipe Francischini (PSL-PR).
A intenção de Bolsonaro não é só mexer na PF. Ele já sinalizou que vai fazer mudanças também na Agência Brasileira de Inteligência e na Receita Federal. Militares com cargos no governo concordam com a atitude de Bolsonaro de fazer trocas na PF, mas discordam da forma como o presidente age, com declarações públicas para demonstrar força, repetindo que quem manda é ele. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.