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Brasil Bolsonaro já supera os governos de Médici, Geisel e Figueiredo em número de ministros militares

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(Foto: Divulgação/PR)

Com a nomeação do general da reserva Floriano Peixoto para assumir a Secretaria-Geral da Presidência (cargo aberto nessa segunda-feira pela demissão de Gustavo Bebianno), o presidente Jair Bolsonaro não apenas reforçou a presença de militares na chefia de pastas federais.

Com oito militares em seu primeiro escalão, ele também ultrapassou nesse quesito os governos de Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo, três últimos chefes do Executivo da ditadura que comandou o País entre 1964 e 1985.

Os três generais-presidentes tinham sete nomes das Forças Armadas na composição de seus ministérios. Além disso, número atingido agora por Bolsonaro empata com o do governo de Arthur da Costa e Silva, mas ainda está atrás de Castelo Branco, que contou com 12 nomeações de militares para os seus ministérios.

Os militares que estão no governo atual, além de Floriano Peixoto, são: tenente-coronel Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), general Fernando Azevedo e Silva (Defesa), general Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo), almirante Bento Costa Lima (Minas e Energia), capitão da reserva Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) e capitão da reserva Tarcísio Freitas (Infraestrutura).

Com a saída de Bebianno (exonerado devido à crise política do atual do governo, após a revelação de supostas candidaturas-laranjas do PSL, partido de Bolsonaro), Onyx Lorenzoni (Casa Civil) passou o único civil entre os quatros titulares de pastas que despacham no Palácio do Planalto.

Crise política

A crise em torno do agora ex-ministro ganhou corpo na última quarta-feira, 13. Naquele dia, o vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do presidente, escreveu no Twitter que Gustavo Bebianno mentiu ao dizer ao jornal “O Globo” que vinha conversando normalmente com Jair Bolsonaro, apesar das denúncias publicadas pela “Folha de S.Paulo” de que o PSL empregou volumes expressivos do fundo partidário – dinheiro público – em candidaturas “laranjas” de mulheres em 2018.

Para corroborar sua acusação ao então ministro (presidiu interinamente o partido durante a campanha eleitoral), Carlos incluiu em sua postagem um áudio em que Bolsonaro se nega a falar com Bebianno. “Ô, Gustavo, tá complicado eu conversar ainda, então não vou falar, não vou falar com ninguém, a não ser estritamente o essencial. Tô em fase final aqui de exames para possível baixa hoje, tá ok? Boa sorte aí”, disse o presidente na gravação, feita ainda no hospital.

Jair Bolsonaro acabou compartilhando a publicação do filho e, em entrevista à TV Record, veiculada no mesmo dia, afirmou que o destino do ministro seria “voltar às suas origens”, caso fosse comprovado o envolvimento de Gustavo Bebianno nos repasses às candidaturas suspeitas.

Novo ministro

Antes de Bebianno ser exonerado, o general Floriano Peixoto era o “número 2” da Secretaria-Geral da Presidência, ocupando o cargo de secretário-executivo. Ele é formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, com mestrado em ciências militares e doutorado em política, estratégia e alta administração pelo Command and General Staff College.

O novo titular da Secretaria-Geral foi instrutor em escolar militares e chefe de operações do primeiro contingente brasileiro no Haiti – Força de Manutenção da Paz, em 2004, e comandante da Força da Minustah, entre 2009 e 2010.

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