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Brasil Bolsonaro mobiliza o governo para conhecer spray nasal anti-coronavírus em Israel

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Produto é tratado como 'milagroso' pelo presidente. (Foto: Alan Santos/PR)

Pressionado pela explosão de casos para covid-19 e falta de vacinas, o presidente Jair Bolsonaro decidiu mobilizar o governo para conhecer o EXO-CD24, um spray nasal que está em fase inicial de testes como medicamento para covid-19. O governo mandará uma comitiva a Israel, no próximo sábado, 6, para conhecer o produto e demonstrar interesse em participar de seu desenvolvimento, o que pode, inclusive, exigir aporte de recursos na pesquisa. A área técnica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação já alertou que não possui verba para a pesquisa e pediu prioridade a projetos nacionais.

Bolsonaro disse que a comitiva a Israel deverá ter dez pessoas, mas o governo só confirma que a equipe será liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, devem compor o grupo nomes próximos ao presidente, como Fabio Wajngarten (secretário de Comunicação) e Filipe Martins (assessor para Assuntos Internacionais), além de um representante do Ministério da Saúde e do secretário de Negociações Bilaterais no Oriente Médio, Europa e África do Itamaraty, Kenneth da Nóbrega. O secretário de Pesquisa e Formação Científica, Marcelo Morales, representará o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

“A comitiva partirá na manhã de sábado, 06/03, e estará de volta a Brasília na quarta-feira, 10/03. A visita tem o objetivo de dar seguimento ao diálogo político e à cooperação científica e tecnológica entre os dois países”, disse, em nota, o Ministério das Relações Exteriores. Procurados, o Palácio do Planalto e os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia não se manifestaram.

Mesmo em fase inicial de testes, o produto já foi tratado como “milagroso” por Bolsonaro. Na pandemia, o presidente tem boicotado medidas que mostram resultado contra o vírus, como distanciamento social e uso de máscaras, e feito apostas em tratamentos ineficazes, como a hidroxicloroquina. “O que é esse spray? Não sei. Mas o que acontece? Esse produto, há dez anos, estava sendo investigado, estava sendo estudado lá em Israel para outro tipo de vírus. E usou isso daí em 30. Em 29 deu certo. O último demorou um pouco mais, mas também segurou. Parece que é um produto milagroso, parece. Nós vamos atrás disso”, disse o presidente, na última terça (2).

Antes, em 12 de fevereiro, Bolsonaro anunciou pelo Twitter que havia conversado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyah, sobre a participação do Brasil nos estudos de fase 3 de desenvolvimento do spray.

Dias mais tarde, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marcos Pontes, se reuniu com o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley. O tema da conversa, entre outros assuntos, foi o  medicamento em estudo. “Shelley declarou que está em tratativas com o pesquisador israelense responsável para trazer parte desta pesquisa ao Brasil. O ministro demonstrou interesse, contextualizou ao embaixador os trabalhos desenvolvidos pela REDEVIRUS, do MCTI”, afirma um registro da reunião.

Na mesma data, representantes da Embaixada do Brasil em Israel se encontraram com desenvolvedores do produto: o CEO do Sourasky Medical Center, Ronni Gamzu, e o professor Nadir Arber. Segundo registro da reunião, “é possível que o Brasil seja convidado a fazer contribuição financeira ao projeto, para o custeio das atividades de pesquisa e de produção da substância”.

Em despacho de 24 de fevereiro, a Secretaria de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações viu com ressalvas o pedido de financiamento e pediu prioridade para projetos nacionais.

“Informo que a Rede Vírus MCTI possui vários projetos de desenvolvimento de medicamentos e vacinas que carecem de financiamento para a realização dos estudos clínicos e sendo assim, caso haja disponibilidade financeira deste MCTI, entendemos que os projetos nacionais devem ser priorizados”, afirma um documento da pasta. “Informo também que a Rede Vírus possui grande capacidade técnica para a realização de estudos clínicos para o desenvolvimento de tecnologias de combate à COVID-19 e poderia contribuir com a realização do estudo clínico do EXO-CD24 , contudo, com relação a possível contribuição financeira ao projeto do Spray nasal EXO-CD24, informo que, no momento, não há disponibilidade financeira para este fim. Desta maneira, o projeto poderia ser realizado apenas com financiamento do lado israelense”, diz outro trecho do texto.

Na reunião em Israel, o governo brasileiro foi informado de que testes preliminares foram feitos em 30 pacientes da covid-19 em estado grave ou moderado. “Do grupo de 30 pacientes, 29 se recuperaram de três a cinco dias depois do uso do fármaco em formato de spray nasal — o 30.º também se recuperou, depois de período mais longo”, afirma um relato da embaixada brasileira.

A pesquisa, de acordo com diplomatas brasileiros, “poderia gerar benefícios também em outras áreas do conhecimento, como a educacional, a científico-tecnológica, a de logística e a de gestão estratégica, além de reforçar os vínculos de confiança mútua.”

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1 Comentário
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Henrique Bass
5 de março de 2021 12:28

Esse é o micto!
Se tivesse capacidade, faria uma mobilização pra de fato haver um plano de vacinação, haver doses suficientes pra população ser vacinada antes de 2026 ou 2027.

Mas como foi com a cloroquina, agora será com o tal spray.
Parabéns!

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