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Brasil Bolsonaro obtém vitória política com a queda do governador do Rio de Janeiro e do Pastor Everaldo

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Presidente conseguiu colocar governadores da oposição na defensiva. (Foto: Carolina Antunes/PR)

A decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que determinou o afastamento imediato do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e a prisão temporária do presidente do PSC, Pastor Everaldo, é vista por deputados, tanto da base quanto da oposição, como uma tripla vitória política do presidente Jair Bolsonaro.

Integrantes do governo admitiram que a queda de Witzel ratificou as acusações do presidente da República de que alguns governadores vêm se aproveitando da pandemia do coronavírus para criar um clima de instabilidade política, desestabilizar Bolsonaro e ainda desviar recursos públicos.

Além disso, a Operação Tris in Idem, que afastou Witzel e prendeu Everaldo, na visão de parlamentares, minou o atual comando da executiva nacional do PSC. Isso pode acelerar a entrada do partido na base de Bolsonaro no Congresso.

De quebra, esse cenário ainda pode resultar no arrefecimento das investigações relacionadas ao suposto esquema da rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que implica o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente da República.

“Recado”

Integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi um recado claro a outros governadores que hoje estão no campo de oposição ao presidente – entre os quais, o de São Paulo, João Doria (PSDB); do Amazonas, Wilson Lima (PSC); do Pará, Helder Barbalho (MDB); e do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

Além disso, a operação não somente minou o sonho de Witzel em concorrer ao Palácio do Planalto em 2022, como pode reduzir o ímpeto de outros governadores em uma eventual disputa presidencial contra Bolsonaro, caso de Flávio Dino e de Doria.

Em grupos de WhatsApp de deputados, por exemplo, parlamentares compartilharam a notícia da operação com a seguinte frase: “Witzel is dead” (Witzel está morto) em referência ao sonho dele de ser presidente da República.

Já os adversários de Bolsonaro alegam que há um aparelhamento da Procuradoria-Geral da República, na figura da subprocuradora-geral da República Lindora Araújo, comandante da Lava Jato na PGR. Segundo esses oposicionistas, ela está perseguindo governadores não alinhados ao Planalto. O próprio Witzel usou essa argumentação para se defender da acusação de que lidera uma organização criminosa.

Os bolsonaristas, por sua vez, afirmam que operações confirmam as críticas feitas pelo presidente à forma como os governadores ou mesmo o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta agiram durante a pandemia.

“Os governadores vão ter que nadar muito agora para tentar recuperar sua credibilidade. Eles apostaram na queda do presidente e perderam. Eles apostaram no vírus e perderam”, disse o deputado José Medeiros (Podemos-MT), um dos vice-líderes do governo. “Bolsonaro deu dinheiro e a corda para os governadores se enforcaram. Os próprios governadores morderam a isca. Bolsonaro estava certo”, complementou.

“O presidente Bolsonaro falava sobre desvios de recursos, confiando que a Justiça seria feita – principalmente após esses contratos emergenciais [de combate à Covid-19] fraudulentos. Ficou tudo muito exposto. A convicção do presidente era a nossa também de que um dia essas quadrilhas seriam pegas”, afirmou o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), um dos principais aliados do presidente, que faz parte do partido de um dos presos, o Pastor Everaldo.

Mas oposicionistas lembraram das relações entre o pastor e Bolsonaro. “Pastor Everaldo, também preso na mesma operação, batizou Bolsonaro no Rio Jordão. São todos iguais”, contemporizou a líder da minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

No aspecto partidário, deputados do PSC afirmam que, ao contrário do que se imaginava, o afastamento de Witzel e a prisão do Pastor Everaldo podem facilitar o embarque de deputados do partido na base bolsonarista. Com Everaldo preso, o ex-senador e ex-deputado federal pela Paraíba Marcondes Gadelha, vice-presidente do partido, assumiu provisoriamente o cargo.

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