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Política Bolsonaro quer o líder do centrão presidindo a Câmara dos Deputados e Davi Alcolumbre de novo na presidência do Senado

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Alcolumbre teria que alterar a Constituição para se candidatar à reeleição no Senado. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Jair Bolsonaro quer que Arthur Lira, do PP, ou Marcos Pereira, do Republicanos, seja o presidente da Câmara dos Deputados — ambos expoentes do centrão.

Pereira tem ainda o diferencial de ser da Igreja Universal, de Edir Macedo, aliado do presidente.

No Senado, o nome favorito de Bolsonaro é Davi Alcolumbre, que teria que conseguir alterar a Constituição para conseguir se candidatar à reeleição.

Mais de 300 cargos

Para se aproximar de partidos do chamado centrão, Jair Bolsonaro (sem partido) tem distribuído cargos no governo a integrantes do bloco. Desde julho de 2019, parlamentares já pediram a nomeação para mais de 700 postos. Destes, 325 foram atendidos.

Segundo levantamento do jornal O Globo, o governo aprovou 45% das indicações. Cerca de 200 foram rejeitadas. O restante aguarda aprovação do governo.

Entre os contemplados, estão políticos investigados pela Operação Lava-Jato e envolvidos no esquema do mensalão, quando o centrão apoiava o governo Lula. Um dos principais articuladores da aproximação com Bolsonaro, o deputado Arthur Lira (PP-AL), foi denunciado à Justiça por corrupção passiva.

Nos últimos dois meses, o governo recebeu 88 pedidos de nomeações. Destes, 11 foram aceitos após análise do Palácio do Planalto. O PP de Arthur Lira, por exemplo, obteve o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), agora sob comando de Marcelo Lopes da Ponte, chefe de gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI), réu na Lava-Jato.

A quebra da aliança com o centrão foi uma das promessas de campanha de Bolsonaro durante a campanha, embora ele já tenha se candidatado por legendas do bloco, como PP. Alvo de mais de 40 pedidos de impeachment, o presidente quer ampliar a base de apoio no Congresso.

Visita ao Planalto

O deputado Arthur Lira (PP-AL), principal líder do Centrão, fez uma visita ao presidente da República no Palácio da Alvorada na manhã deste domingo (7). Ele chegou a residência presidencial pouco antes das 9h e permaneceu cerca de uma hora.

Na última sexta-feira (5), a PGR (Procuradoria-Geral da República) denunciou Lira por suposto crime de corrupção passiva em caso ligado à Lava-Jato, conhecido como “quadrilhão do PP”.

O deputado alagoano é tido na Câmara como pré-candidato à presidência da Casa. A eleição do sucessor de Rodrigo Maia (DEM-RJ) será em fevereiro de 2021.

Lira é peça fundamental dos planos do governo de criar uma base de apoio na Câmara. O bloco liderado pelo cacique alagoano tem cera de 200 deputados, ainda que o controle dele sobre esses congressistas não seja total.

Nas últimas semanas, o deputado passou a ser um dos principais defensores das pautas do governo.

Na segunda metade de maio, por exemplo, Lira foi um dos responsáveis pelo projeto de lei da regularização fundiária sair de pauta.

A proposta é uma forma mais suave da medida provisória apelidada por opositores de “MP da Grilagem”. O governo queria restaurar no projeto os termos da medida provisória, e o deputado alagoano foi um dos que mais pressionou.

O Planalto tem aceitado indicações políticas de líderes do grupo para cargos na administração federal. Lira participa das conversas.

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