Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 27 de julho de 2025
Integrantes da direita ouvidos pelo blog da jornalista Andréia Sadi nesta última semana avaliam que resistência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em apoiar alguém de fora de seu núcleo familiar decorre do medo de perda da influência.
Para uma dessas fontes, o ex-presidente – que está inelegível e obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica por suspeita de coação à Justiça – prefere uma derrota da direita em 2026 a uma vitória de alguém que não tenha o sobrenome Bolsonaro.
“Para Bolsonaro, é Deus acima de tudo e família Bolsonaro acima de todos”, diz essa fonte.
A última pesquisa Quaest sobre a disputa presidencial, entretanto, mostra que os três nomes da família testados – Jair, a ex-primeira-dama Michelle e o deputado federal Eduardo (PL-SP) – seriam derrotados por Lula (PT) num eventual segundo turno.
O único a empatar com o atual presidente nessa pesquisa foi o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Bolsonaro não só resiste em declarar apoio a Tarcísio como candidato à presidência. Ex-presidente chegou a desautorizar as tentativas feitas pelo governador de negociar saídas para o tarifaço sobre exportações brasileiras anunciado por Donald Trump.
“Agora, a solução não vai ser feita por ele [Tarcísio] — tem que resolver para o Brasil. Quem está à frente dessa negociação chama-se Eduardo Nantes Bolsonaro. Pronto, não custa nada”, afirmou, em entrevista ainda antes da pesquisa.
A Quaest mostrou, também, que o tarifaço de Trump não foi capaz de mudar o potencial de Eduardo como substituto do pai na disputa pela presidência. O deputado federal viu o desempenho entre bolsonaristas oscilar para cima, mas segue atrás de Lula.
Segundo aliados, após a pesquisa, integrantes do núcleo Bolsonaro passaram a reforçar o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como alternativa.
Michelle
Em outra frente, impedido de deixar Brasília por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro vê a mulher Michelle ganhar protagonismo ao intensificar conversas de bastidores para fortalecer seu grupo político. Sem alarde, ela passou a ocupar espaços, discursar em nome do ex-presidente e comandar a interlocução com lideranças partidárias, religiosas e conservadoras.
Na sexta-feira, por exemplo, enquanto Bolsonaro se mantinha recluso em casa para evitar descumprir as ordens de Moraes, Michelle esteve na Paraíba.
“Todos nós, sob a liderança do presidente Bolsonaro, que está parcialmente impedido de exercer sua liderança em toda sua plenitude, iremos nos guiar por Michelle Bolsonaro, que é uma figura excepcional”, disse o ex-ministro Marcelo Queiroga, presidente estadual do PL.
Desde que Bolsonaro foi proibido de deixar Brasília, Michelle passou a assumir viagens que seriam dele, como a prevista para Rondônia em agosto, e intensificou postagens nas redes sociais em nome do casal. O resultado foi imediato: após a operação da Polícia Federal na sede do PL e na casa de Bolsonaro, em 18 de julho, ela ganhou 138 mil seguidores no Instagram.
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