Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 26 de abril de 2020
O presidente Jair Bolsonaro voltou a usar as redes sociais para rebater a acusação do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que tenha interferido na Polícia Federal. O presidente demitiu o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, na última sexta-feira. Bolsonaro também justificou a possível escolha do ex-coordenador da segurança de Bolsonaro, Alexandre Ramagem, para a Polícia Federal.
Em resposta a uma seguidora que disse que Ramagem é “amigo dos filhos do presidente”, afirmou:
“E daí? Antes de conhecer meus filhos eu conheci o Ramagem. Por isso deve ser vetado? Devo escolher alguém amigo de quem?” Segundo o colunista Merval Pereira, o presidente resolveu demitir Maurício Valeixo por causa das informações que indicam que as investigações sobre fake news estão chegando ao “gabinete do ódio” e ao vereador Carlos Bolsonaro.
Nas redes sociais, Bolsonaro acusou Moro de mentir.
“Lamentavelmente o ex-ministro mentiu sobre interferência na Polícia Federal”, disse Bolsonaro nas suas redes sociais. “Nenhum superintendente foi trocado por mim. Todos foram indicados pelo próprio ministro ou diretor geral.”
“Para mim os bons policiais estão em todo o Brasil e não apenas em Curitiba, onde trabalhava o então juiz”, afirmou, repetindo o que já havia dito na sexta-feira — que Moro teria privilegiado pessoas de Curitiba em suas indicações.
No sábado, o presidente também usou sua conta no Twitter para dizer que manteve o apoio ao então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em meio à crise provocada pela revelação da troca de mensagens entre Moro e procuradores da República da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba.
Duas horas antes, Moro também mandou um recado a Bolsonaro, via Twitter. “‘Faça a coisa certa, pelos motivos certos e do jeito certo’ foi o lema de campanha de integridade que fizemos logo no início no MJSP”, postou. A mensagem está acompanhada de um vídeo institucional sobre a campanha.
Na sexta, após pedir demissão, o ex-ministro Sergio Moro apresentou uma troca de mensagens em que o presidente Jair Bolsonaro pede a troca de comando na Polícia Federal com base em uma informação de que a corporação estaria investigando deputados bolsonaristas. Em resposta, Moro diz que a investigação é conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também é responsável por determinar as diligências.
Carta
Em carta divulgada no domingo (26), a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal pediu ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) que mantenha uma “distância republicana” da instituição, além de exigir a criação de um projeto de emenda constitucional prevendo autonomias para a PF.
A reação da instituição ocorre em meio a especulação de que o presidente irá indicar o delegado Alexandre Ramagem, amigo íntimo da família Bolsonaro, para o posto de diretor-geral da Polícia Federal, até então ocupado por Mauricio Aleixo, demitido na semana passada e pivô do confronto entre Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro. Aleixo foi exonerado após recusa de Moro em trocar a chefia da PF e atender pedido do presidente para colocar no lugar alguém que ele pudesse ligar e pedir detalhes de relatórios de investigação. Diante da pressão, Moro deixou o cargo e acusou Bolsonaro de uma série de crimes de responsabilidade envolvendo a PF.
Na mesma carta, a associação pediu ao presidente que dê autonomia ao próximo diretor-geral da corporação para montar sua equipe e definir as investigações com base em aspectos técnicos “sem obrigações de repassar informações ao Governo Federal, ou instaurar ou deixar de instaurar investigações por interesse político ou intervir em qualquer outra já existente”. “Tais medidas irão construir um ambiente institucional menos tenso e, certamente constituirão um legado de seu governo para o Brasil”, escreveu a associação de delegados.
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