Domingo, 11 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de janeiro de 2026
A ex-primeira-dama também manifestou temor de que Bolsonaro tenha nova queda e ninguém perceba o acidente.
Foto: Isac Nóbrega/DivulgaçãoA ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nessa sexta-feira (9) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem sentido tontura e perdido o equilíbrio ao se levantar. A declaração foi postada nas redes sociais três dias após o ex-mandatário ter caído da cama na sala onde cumpre pena, na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
O impacto da queda resultou em traumatismo craniano leve, sem qualquer comprometimento intracraniano, segundo o médico Brasil Ramos Caiado. Michelle atribuiu a falta de equilíbrio do marido aos efeitos colaterais dos medicamentos que seu marido precisa tomar.
“Hoje soube, por meio do advogado, que Jair está com perda de equilíbrio ao se levantar, em decorrência dos medicamentos. Mesmo assim, segue trancado”, escreveu Michelle.
A ex-primeira-dama também manifestou temor de que Bolsonaro tenha nova queda e ninguém perceba o acidente.
“Quando a segurança era feita apenas pela Polícia Federal, a porta permanecia aberta. Agora, com a Polícia Penal Federal, isso não é mais possível. O medo é real: ele pode cair novamente e ninguém ouvir”, afirmou.
Michelle acrescentou que “as autoridades estão cientes dos riscos reais de morte” que Bolsonaro corre “ao permanecer 24 horas trancado em um quarto”. “A integridade física dele é de responsabilidade do Estado”, finalizou.
Quando caiu, na terça-feira, o ex-presidente não acionou o protocolo de urgência para estas situações e não avisou ninguém do acidente. Durante a manhã, ele teria dito a policiais penais, que notaram o machucado, que não se tratava de nada. Ele relatou ter caído da cama, mas informou estar bem.
Redução de pena
A defesa do ex-presidente pediu autorização ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para que ele participe do programa de remição de pena pela leitura. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe.
Na prática, o programa permite o abatimento de quatro dias da pena para cada obra lida e avaliada, conforme regras do sistema prisional. O pedido ainda será analisado pelo ministro. Em dezembro, Moraes autorizou o general Paulo Sérgio Nogueira, apontado como integrante do chamado “núcleo crucial” da trama golpista, a trabalhar, ler livros e fazer cursos para reduzir a pena de 19 anos de prisão.
No DF, o sistema penitenciário tem uma lista específica de livros que podem ser lidos e resenhados para a redução da pena. As possibilidades incluem:
* “Ainda estou aqui”, livro biográfico de Marcelo Rubens Paiva: o escritor revira as próprias memórias e narra momentos marcantes na vida de suas irmãs, mãe e seu pai, o Rubens Paiva, ex-deputado federal assassinado durante a ditadura militar. O livro foi adaptado para as telonas e ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025.
* “Democracia”, de Philip Bunting: o livro ilustrado apresenta o conceito de democracia, sua história e responde questões sobre cidadania, política, acesso à informação, uso da internet e das mídias sociais. Recomendado para leitores a partir de 9 anos.
* “Crime e castigo”, de Fiódor Dostoiévski: conta a história de um estudante que, impulsionado pela teoria de que “pessoas extraordinárias” têm o direito de cometer crimes, mata uma agiota e é atormentado pela culpa, paranoia e insônia.
A previsão de usar o trabalho e os estudos para reduzir a pena foi incluída na Lei de Execuções Penais em 2011 e vale para todos os presos em regime fechado ou semiaberto do país – mas exige autorização da Justiça para cada detento.
A lei autoriza:
* reduzir um dia de pena a cada 12 horas de frequência escolar (ensino fundamental, médio, profissionalizante ou superior);
* reduzir um dia de pena a cada 3 dias de trabalho.
* Além de cortar o tempo total de punição, as atividades agilizam a progressão para o regime semiaberto e a concessão de liberdade condicional.
Já a remição de pena pela leitura é definida em uma resolução do Conselho Nacional de Justiça de 2021. O preso pode ler e resenhar até 12 obras por ano – cada uma abate quatro dias da pena. O ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados da trama golpista também podem aderir às práticas. Para isso, será necessário pedir o aval do ministro Alexandre de Moraes, que é o relator da execução das penas desse inquérito.