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Política Bolsonaro volta a atacar o Congresso dizendo: “quero aprovar o que interessa ao povo”

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Presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Divulgação)

O presidente Jair Bolsonaro manteve o tom de conflito com o Congresso Nacional e disse, em entrevista, que não quer ser melhor do que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e nem que o da Câmara, Rodrigo Maia. “Quero aprovar o que interessa ao povo”.

Bolsonaro concentrou os ataques a Maia, e disse que as críticas que recebeu do presidente da Câmara, principalmente após participar de atos públicos ontem em Brasília, são parte do jogo de disputa de poder. “Maia me chamando de irresponsável ontem foi um ataque frontal. Estou pronto para conversar com Congresso, mas está em jogo disputa de poder”, afirmou. “Dá para reverter críticas a Maia, é só começar a trabalhar pelo Brasil”, emendou.

Para o presidente, o acordo sobre o Orçamento Impositivo que gerou uma crise entre Executivo e Legislativo colocou o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, “na parede para compromissos futuros”. “Talvez Ramos se perdeu por inexperiência e honestidade”, disse.

Críticas do Senado e da Câmara

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), criticou na noite do último domingo (15), a participação do presidente Jair Bolsonaro nos atos pró-governo e contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Alcolumbre também mencionou o esforço mundial para conter o coronavírus. “Com a pandemia do coronavírus fechando as fronteiras dos países e assustando o mundo, é inconsequente estimular a aglomeração de pessoas nas ruas”, afirmou o senador, em nota. “A gravidade da pandemia exige de todos os brasileiros, inclusive do presidente da República, responsabilidade”, escreveu.

No fim do dia, Bolsonaro comentou o assunto em uma entrevista à CNN Brasil e rebateu Maia e Alcolumbre. “Gostaria que Maia e Alcolumbre saíssem às ruas como eu. Saiam às ruas e vejam como vão ser recebidos”, disse o presidente. Apesar da declaração, Bolsonaro afirmou que está disposto a se reunir com os dois parlamentares para alinhar uma “pauta de interesse da população”. “Estão fazendo críticas. Estou tranquilo. Espero que não queiram fazer algo belicoso”, disse o presidente.

Parlamentares de partidos de direita e de centro também criticaram a atitude de Bolsonaro. “Deixem a fotografia e a história falarem por si”, afirmou a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Simone Tebet (MDB-MS). Para o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), a conduta do presidente “não ajuda neste momento” de “tantos desafios”.

O líder do PSD no Senado, Otto Alencar (BA), classificou o comportamento do presidente ontem como o de um “bufão”. “Uma palhaçada com uma coisa tão grave como essa”, disse o parlamentar.

Na avaliação do líder do PSB na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ), a participação de Bolsonaro na manifestação representa uma “ameaça à vida das pessoas”. A líder do PSL na Casa, deputada Joice Hasselmann (SP), disse que a atitude do presidente é “incompreensível”. “Não dá pra entender o comportamento irracional do presidente”, declarou ela.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou um “atentando à saúde pública” a atitude de Jair Bolsonaro de ter participado da manifestação pró-governo na área externa do Palácio do Planalto, interagindo com manifestantes. “Por aqui, o presidente da República ignora e desautoriza o seu ministro da Saúde e os técnicos do ministério, fazendo pouco caso da pandemia e encorajando as pessoas a sair às ruas. Isso é um atentado à saúde pública que contraria as orientações do seu próprio governo. A economia mundial desacelera rapidamente; a economia brasileira sofrerá as consequências diretas”, disse Maia.

O deputado lembrou ainda crise econômica. “O mundo está passando por uma crise sem precedentes. O Banco Central americano e o da Nova Zelândia acabam de baixar os juros; na Alemanha e na Espanha, os governos decretam o fechamento das fronteiras”, disse. “Há um esforço global para conter o vírus e a crise”.

“O Presidente da República deveria estar no Palácio coordenando um gabinete de crise para dar respostas e soluções para o País. Mas, pelo visto, ele está mais preocupado em assistir as manifestações que atentam contra as instituições e a saúde da população”, disse ainda. Para Maia, a situação é preocupante. “Somos maduros o suficiente para agir com o bom senso que o momento pede”, afirmou.

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