Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 11 de agosto de 2015
Mesmo enquanto deixamos a tecnologia invadir atividades diárias e reinar sobre nossas relações interpessoais, pensar no mundo digital ocupando lugar na vida íntima da nossa cama ainda parece algo enigmático e repleto de tabus. Entre pornôs de realidade virtual, brinquedos sexuais controlados por Bluetooth e sexo com robôs, os avanços eletrônicos estão se fazendo presentes no quarto com uma série de novas opções. Bonecas ultrarrealistas e ambientes virtuais que tentam simular uma relação sexual entre duas pessoas a distância já estão por aí.
Em um relatório publicado no ano passado pelo centro Pew Research sobre inteligência artificial, o especialista americano em tecnologia Stowe Boyd afirma que até 2025 “parceiros sexuais robôs vão ser lugar-comum”. Em outro estudo, divulgado em 2012 na revista científica Futures, dois pesquisadores neozelandeses escreveram sobre um bordel imaginário no famoso Red Light District, em Amsterdã, na Holanda. Ian Yeoman e Michelle Mars sugeriram, a partir dessa brincadeira, que até 2050 haverá prostitutas robôs.
Dez ou 35 anos podem parecer muito tempo, mas talvez não seja necessário esperar tanto. Idealizada inicialmente com um objetivo puramente artístico, “mais como uma brincadeira do que qualquer coisa”, a boneca articulada de silicone criada pelo americano Matt McMullen, hoje obra-prima da empresa RealDoll, deve ser incrementada com inteligência artificial e robótica.
O novo produto pode estar disponível no mercado nos próximos dois anos. O fabricante, que produz de 300 a 400 bonecas por ano, pretende lançar uma versão que seja capaz de manter um diálogo com seu dono.
“A novidade surgiu a partir de uma demanda constante das pessoas. É o caminho natural, uma vez que cada vez mais gente está se envolvendo com seus aparelhos”, afirma McMullen.
Segundo ele, algumas pessoas “desenvolvem fortes conexões” com essas bonecas, e há casos em que foram estabelecidos laços matrimoniais com o produto. Mesmo assim, McMullen acha que as pessoas não precisam se preocupar com o futuro das relações convencionais, dizendo que elas não serão substituídas por essas alternativas tecnológicas.
“Ambas podem coexistir. Cada um tem seu gosto e seus desejos. Tem muita gente que curte essa interação, e vai ser algo bem atraente, mas naturalmente ainda haverá sexo tradicional”, diz McMullen. (AG)
Os comentários estão desativados.