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Brasil Brasil avança em infraestrutura própria para inteligência artificial com supercomputação e nuvem brasileira

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O pacote inclui a estruturação da Nuvem Brasileira, em uma parceria entre os setores público e privado

Foto: Divulgação
O pacote inclui a estruturação da Nuvem Brasileira, em uma parceria entre os setores público e privado. (Foto: Reprodução)

O governo federal anunciou na quinta-feira (20) uma nova etapa da estratégia brasileira digital para inteligência artificial, com a ampliação da infraestrutura necessária para desenvolver e treinar modelos de IA no país. O conjunto das ações reforça a soberania nacional sobre os dados de serviços brasileiros públicos e privados.

Hoje, projetos que exigem grande capacidade computacional podem depender da contratação de infraestrutura no exterior. As novas iniciativas ampliam a capacidade de processamento instalada no Brasil e poderão ser utilizadas por empresas, startups, universidades, instituições de pesquisa e diferentes níveis de governo. As medidas integram o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e reúnem ações para ampliar a infraestrutura tecnológica do país, a formação de profissionais, a transferência de tecnologia, além de avançar em transparência, governança e soberania digital.

O PBIA prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028 para fortalecer a capacidade tecnológica do país, formar profissionais e impulsionar pesquisa, inovação e aplicações de inteligência artificial. Os novos anúncios envolvem três frentes complementares. A primeira é a aquisição, por edital competitivo, de um supercomputador que deverá figurar entre as dez maiores máquinas do mundo em capacidade de processamento de IA. A segunda prevê cooperação tecnológica com empresas da China para ampliar a supercomputação no país, desenvolver modelos de IA em língua portuguesa e formar profissionais. A terceira é a participação brasileira no esforço internacional de desenvolvimento de chips com arquitetura aberta RISC-V, que amplia as possibilidades de desenvolvimento tecnológico e reduz a dependência de arquiteturas proprietárias.

O pacote inclui ainda a estruturação da Nuvem Brasileira, em uma parceria entre os setores público e privado, para desenvolver no país infraestrutura e tecnologia de armazenamento e processamento de dados e sistemas, estimular fornecedores nacionais e reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros. Também prevê a implantação do Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável Na prática, a nova infraestrutura amplia as condições para que empresas brasileiras, startups, universidades e centros de pesquisa desenvolvam e treinem modelos de inteligência artificial no país, abrindo espaço para pesquisa, inovação, novos produtos, serviços e negócios a partir de maior capacidade computacional disponível no Brasil.

Essa estrutura também cria condições para o desenvolvimento de aplicações com impacto na vida da população, em áreas como saúde, agricultura, previsão climática, prevenção de desastres, indústria e serviços públicos. Ao mesmo tempo, os projetos preveem a formação de profissionais e pesquisadores, permitindo que jovens ingressem em áreas de alta qualificação e participem do desenvolvimento de tecnologias estratégicas para o crescimento da economia brasileira. Com esse conjunto de iniciativas, o Brasil deixa de ser predominantemente usuário de tecnologias de inteligência artificial para também desenvolver IA no país. Abaixo mais detalhes sobre cada iniciativa:

Supercomputação

Uma das três rotas será a aquisição, por edital competitivo, de um novo supercomputador de inteligência artificial, com investimento estimado em cerca de R$ 1 bilhão. A infraestrutura deverá alcançar aproximadamente 7.200 petaflops1 — cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo. O supercomputador será uma infraestrutura nacional de inteligência artificial. Sua capacidade poderá ser utilizada por empresas, universidades, instituições científicas e governos para treinamento de modelos, pesquisa e desenvolvimento de aplicações de IA.

Hoje, iniciativas brasileiras que demandam processamento dessa escala podem precisar contratar capacidade no exterior, ficando sujeitas à infraestrutura e à disponibilidade definidas por provedores estrangeiros. Com maior capacidade instalada no país, o Brasil ganha autonomia para desenvolver projetos e definir prioridades de acordo com suas próprias necessidades. O equipamento está previsto para ser instalado no Parque Tecnológico Augusto Severo – PAX, que pertence à na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com execução feita pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Embora tenha utilização nacional, sua instalação no Rio Grande do Norte se deve ao grande potencial energético do Estado e leva ao Nordeste uma infraestrutura científica e tecnológica de ponta, amplia a capacidade de pesquisa e inovação na região e contribui para descentralizar a infraestrutura de alta tecnologia no país. O início das operações está previsto para o final de 2027. O edital prevê ainda contrapartidas relacionadas a transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros, com previsão de capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos.

Cooperação tecnológica e modelos em português

A segunda rota prevê a implantação, no Rio de Janeiro, de uma infraestrutura de supercomputação executada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em parceria com Huawei e iFlytek. A iniciativa irá ampliar a capacidade de processamento disponível no país, e prevê transferência de tecnologia, parcerias de pesquisa e desenvolvimento, formação de profissionais e desenvolvimento de uma pilha de software soberana. Também está previsto o desenvolvimento de um modelo de linguagem de grande escala (LLM) nacional e de modelos de inteligência artificial em português, permitindo criar soluções mais adequadas ao idioma, aos dados e às necessidades brasileiras. O investimento é estimado em R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos e o início das operações está previsto para julho de 2027.

A proposta inclui ainda a capacitação de 3 mil brasileiros em cinco anos. As contrapartidas da parceria incluem aspectos relacionados a transferência de tecnologia, formação de profissionais e pesquisa e desenvolvimento.

Chips em arquitetura aberta

A terceira rota é uma estratégia de longo prazo, com horizonte de 10 a 15 anos, para ampliar a capacidade brasileira de desenvolver chips e reduzir a dependência de tecnologias controladas por poucas empresas ou países. A iniciativa será baseada na arquitetura RISC-V, uma tecnologia aberta e não proprietária que permite desenvolver e adaptar componentes sem depender exclusivamente de arquiteturas fechadas. A frente será conduzida em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha, e busca ampliar o domínio brasileiro sobre tecnologias críticas para a computação de alto desempenho e a inteligência artificial.

As três rotas são complementares: combinam expansão da capacidade de processamento, transferência de tecnologia, formação profissional e desenvolvimento de competências nacionais, evitando substituir uma dependência externa por outra.

Nuvem brasileira

O governo federal também dará início à estruturação da Nuvem Brasileira, por meio de uma parceria entre os setores público e privado para desenvolver no país componentes críticos da tecnologia de computação em nuvem e criar uma alternativa brasileira para armazenamento e processamento de dados e sistemas. A iniciativa busca ampliar o domínio nacional sobre essa infraestrutura e reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros. A solução será desenvolvida com padrões abertos e interoperáveis e tecnologia nacional em componentes críticos, de forma a reduzir também o risco de dependência de uma única empresa ou tecnologia.

Um acordo de cooperação entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o BNDES dará início à estruturação do projeto e a uma escuta de mercado para conhecer a capacidade da indústria nacional, avaliar tecnologias e definir o modelo da futura Nuvem Brasileira. A estratégia prevê utilizar a demanda e a capacidade de contratação do Estado para ajudar a criar escala para fornecedores brasileiros e estimular o desenvolvimento de soluções nacionais que possam atender tanto o setor público quanto o mercado privado. A iniciativa parte da experiência da Nuvem de Governo, já operada por Serpro e Dataprev.

Transparência algorítmica e IA confiável

Outra entrega será o Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, a ser implantado pelo Centro de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O Centro dará ao país capacidade técnica para acompanhar a expansão do uso da inteligência artificial com mais segurança e confiabilidade. Com o aumento da capacidade computacional e do desenvolvimento de modelos de IA no Brasil, será necessário também ampliar as condições para avaliar como esses sistemas funcionam, identificar riscos e tornar seus resultados mais transparentes e rastreáveis. Para isso, o Centro desenvolverá pesquisas, metodologias e ferramentas de transparência, explicabilidade, auditabilidade, segurança, avaliação de riscos e mitigação de vieses, apoiando a identificação de falhas e possíveis discriminações em sistemas de inteligência artificial. O Centro terá função técnico-científica. As competências de fiscalização e aplicação de sanções permanecem com as autoridades legalmente responsáveis.

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