Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de março de 2023
O Brasil fez história no Mundial de boxe feminino, encerrado no último domingo (26), em Nova Déli, na Índia. O país conquistou um ouro, com Beatriz Ferreira (60kg), e um bronze, com Barbara Santos (70kg), e obteve sua melhor campanha na competição. Ainda em clima de comemoração, a equipe retornou ao Brasil na terça-feira (28) e analisou o desempenho no campeonato, já projetando a sequência da temporada, que ainda terá a disputa do pré-olímpico.
“Nós fomos com um prognóstico positivo, pensando em ter um bom desempenho como no Mundial de Istambul, no ano passado, em que fizemos uma final e também conquistamos uma medalha de bronze. Tínhamos o objetivo de duas medalhas e conseguimos. Além disso, fizemos duas quartas de finais. Nós sempre analisamos todo o processo e todas as nossas apresentações foram muito positivas, mesmo quando o resultado não foi a vitória. As meninas saíram com a sensação de dever cumprido”, disse Léo Macedo, treinador da seleção.
A melhor participação do Brasil em uma única edição de Mundial havia sido em 2022, em Istambul, na Turquia, quando conquistou uma prata e um bronze, com Beatriz Ferreira (60kg) e Caroline Almeida (52kg), respectivamente. Em Nova Déli, o país contou com a presença de sete atletas. Além das medalhas de Bia Ferreira e Barbara Santos, Jucielen Romeu (57kg) e Beatriz Soares (66kg) perderam nas quartas de final, ficando a uma luta do pódio, e Caroline Almeida (50kg), Tatiana Chagas (54kg) e Viviane Pereira (75kg) pararam nas oitavas.
“Foi por um detalhe que não conquistamos a terceira medalha. A Beatriz Soares perdeu em uma luta muito discutível contra a Tailândia, numa decisão que foi para os julgadores externos. Mas nós estamos satisfeitos. O que tem de acontecer é sempre pegar medalha. E não pode ser só a Bia (Ferreira). A gente está mostrando que não é só ela. A Carol medalhou no último Mundial, a Barbara neste. Nós temos, sim, outras atletas que estão representando e podem pegar medalha em Paris”, analisou o head coach da seleção, Mateus Alves, que não esteve na Índia por conta do nascimento de sua terceira filha.
Boicotes
O Mundial de Nova Déli foi marcado pelo boicote de 17 nações ocidentais em protesto à participação de atletas da Rússia e de Belarus no evento. Foi a primeira grande competição em que atletas dos dois países puderam competir sem neutralidade, desde que foram punidos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) por conta da invasão à Ucrânia, em fevereiro de 2022. Países como Estados Unidos, Irlanda, Canadá e Grã-Bretanha, que são tradicionais no boxe feminino, não enviaram atletas para o Mundial. Entretanto, Léo Macedo afirmou que as ausências não interferiram no nível técnico do campeonato, que se manteve muito forte.
“O nível foi alto como sempre. A gente acaba sentindo a ausência de algumas equipes fortes e tradicionais, como os Estados Unidos e a Irlanda, mas é pouco se comparado com o montante geral. Tivemos a China, que não foi a Istambul com uma equipe completa e desta vez estava fortíssima, a Índia lutando em casa com uma equipe muito forte e a Rússia, que não foi bem, mas é sempre uma adversária dura. Houve boicote, mas no final não se sentiu tanto na questão de competitividade e qualidade do torneio”, avaliou ele.
Agora, a equipe brasileira terá alguns dias de descanso pós-Mundial e retornará aos treinos no início de abril. Para as meninas, a próxima grande meta da temporada são os Jogos Pan-Americanos Santiago-2023, que vão acontecer a partir de 20 de outubro. A competição será classificatória para a Olimpíada de Paris 2024, por isso terá uma importância ainda maior. Conquistado o bicampeonato mundial, Bia vai se dedicar ao boxe profissional pelos próximos meses antes de focar no Pan.
“O ano começou muito forte, com Strandja e o Campeonato Mundial. Ainda quero fazer duas lutas no profissional, garantir minha vaga para Paris e conseguir uma medalha de ouro novamente no Pan. Esse ano é bem preparatório, talvez seja mais duro do que o próprio ano dos Jogos Olímpicos por conta das competições. A gente tenta reajustar todas as nossas estratégias e treinamentos para chegar em Paris voando baixo”, falou a baiana.
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