Sexta-feira, 09 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de maio de 2021
Com percentual baixo de suas populações imunizadas, o Brasil e a Índia são hoje os “grandes palcos” para surgimento de novas variantes do coronavírus no mundo, diz o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. Professor da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, Nicolelis afirma que é difícil prever a superação da pandemia por causa das mutações. “A verdade é que, a esta altura do campeonato, ainda não temos muitas certezas.”
Em entrevista ao jornal Valor, o neurocientista definiu o atual momento da Índia como “assustador”. Com a vacinação ainda mais lenta do que no Brasil, o país vive um colapso hospitalar e funerário que não encontra precedentes, com o registro de quase 300 mil casos novos de covid-19 por dia.
Para Nicolelis, a alta transmissibilidade é o mais preocupante em relação à variante indiana, que já foi registrada em 50 países. “No Nepal e no Reino Unido, o vírus se multiplicou muito rápido nas duas últimas semanas, indicando que parece ser mais transmissível”, afirmou Nicolelis. “Brasil e Índia são grandes palcos para novas variantes.”
No Brasil, os primeiros casos de contágio com a variante indiana foram confirmados no Maranhão na semana passada, mas ainda não há evidências de que esteja havendo uma transmissão comunitária no País. Os demais casos em investigação — no Distrito Federal, Ceará, Rio de Janeiro e Pará — são todos de pessoas que vieram de fora do Brasil, com passagem pela Índia, por via aérea ou marítima.
Mesmo antes da confirmação da cepa indiana no país, Estados como Paraíba e Mato Grosso prenunciavam o início de uma terceira onda de contágio, aponta o cientista. “Encavalamos uma onda na outra. Tivemos um platô longo na primeira e, antes que houvesse uma completa redução, veio a explosão de novos casos e fevereiro e março, algo que já era previsto.”
Agora, diz Nicolelis, o Brasil poderá emendar uma terceira onda partindo de um patamar mais alto de casos e óbitos durante o período de inverno, quando
tradicionalmente já aumentam os casos de síndrome respiratória aguda.
O cientista criticou a falta de uma coordenação nacional com poder para passar uma mensagem consenso sobre a adoção de medidas de isolamento por Estados e municípios. “Cada gestor está atirando para um lado.”
Nicolelis destaca a gravidade da pandemia nos Estados de Pernambuco e Santa Catarina, que têm nível de ocupação de leitos acima de 95%.
“As medidas adotadas até agora não têm efetividade. Pernambuco está empurrando com a barriga”, afirmou. “Chegando próximos às festas juninas, ainda não temos uma diretriz geral em muitos Estados, como tivemos em relação ao Carnaval.”
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