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Brasil Brasil fecha 83 estações meteorológicas em seis anos e reduz capacidade de prever eventos extremos

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A perda de precisão nas previsões também afeta a economia, especialmente a agricultura. (Foto: Divulgação/Seapdr)

Na contramão do avanço dos fenômenos climáticos extremos, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) vem reduzindo sua rede de estações meteorológicas convencionais — operadas por técnicos em previsão do tempo. Desde 2020, 83 unidades foram desativadas, o que fez o total cair de 180 para 97 em operação. Uma das mais recentes foi a de Irati (PR), encerrada ainda neste verão, que se despediu, estação marcada por eventos extremos em diferentes regiões do país. Nesse cenário de rede mais frágil, especialistas ouvidos alertam para a perda de capacidade de prever e prevenir desastres.

Dados recentes ajudam a dimensionar esse impacto. Só nos dois primeiros meses deste ano, a Confederação Nacional de Municípios contabilizou os efeitos das chuvas em 377 cidades, com registros de inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos, além de 548 decretos de situação de anormalidade. Os prejuízos econômicos, ambientais, materiais e estruturais somam R$ 1,4 bilhão, além de mortes e milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas.

Em nível local, os efeitos são ainda mais evidentes. As consequências das chuvas intensas em Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, ilustram a dificuldade do país em se preparar para eventos extremos. A maior tragédia recente na região deixou 72 mortos, mais de 4 mil desalojados e um rastro de destruição. Minas Gerais foi o estado que mais perdeu estações convencionais do Inmet: 17 foram desativadas, restando hoje 15.

Para especialistas, esse encolhimento da rede de observação meteorológica compromete diretamente a capacidade de antecipar tragédias como essas. A meteorologista Marcia Akemi Yamasoe, professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, afirma que a redução da rede convencional afeta a base de dados que sustenta as previsões do tempo:

“As estações convencionais são fundamentais porque formam séries históricas essenciais para testar e validar modelos. A comunidade científica depende de dados observacionais para acompanhar mudanças no clima. É uma perda não só para o Brasil, mas para a ciência internacional.”

Parâmetros internacionais ajudam a dimensionar o problema. A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) recomenda que a densidade de estações varie conforme o relevo e o objetivo do monitoramento. No cenário mais permissivo — como áreas áridas ou polares — a indicação é de uma estação a cada 10 mil km². Mesmo nesse padrão, inferior ao necessário para um país tropical e diverso como o Brasil, seriam exigidas ao menos 851 unidades. Atualmente, porém, o país conta com 736 estações em operação — cerca de 13% abaixo desse mínimo.

Estações automáticas

Além das 97 convencionais, há ainda 639 estações meteorológicas automáticas (sem operador humano), das quais 198 estão inoperantes. Embora mais numerosas, essas não substituem as convencionais, segundo especialistas. Yamasoe defende que os dois sistemas sejam complementares.

“Os modelos não partem do zero: utilizam condições iniciais observadas. Se há lacunas nesses dados, o modelo perde precisão. Quanto mais informação prévia, mais confiável é a previsão. Além disso, o funcionamento das automáticas e das convencionais é diferente. A transição exigiria medições simultâneas por anos, para calibrar os dados – o que não está sendo feito. E, em geral, os instrumentos das convencionais são mais robustos, enquanto as automáticas demandam aferição e manutenção mais frequentes”, afirma.

A perda de precisão nas previsões também afeta a economia, especialmente a agricultura. Decisões sobre plantio, colheita e uso de insumos dependem de informações meteorológicas confiáveis, e a ausência ou imprecisão desses dados pode gerar prejuízos significativos.

Presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia, Romulo da Silveira Paz ressalta que o fechamento das estações convencionais já provoca lacunas relevantes nos registros históricos. Ele também afirma que a substituição por estações automáticas não resolve o problema.

“Você observa o tempo diariamente e, ao longo de décadas, constrói o clima. Interrupções criam lacunas nas séries históricas e comprometem análises de longo prazo. Nos últimos 30 anos, o argumento foi a instalação de estações automáticas, mas uma não substitui a outra – elas se complementam, como aponta a Organização Mundial de Meteorologia”, diz.

Procurado, o Inmet afirmou que amplia a rede com a instalação de estações automáticas. O órgão afirma ter implantado 27 novas unidades no Centro-Oeste e 98 no Sul, sendo 54 em novas localidades.

“Estão previstos projetos para a implantação de mais 220 novas estações meteorológicas automáticas em todo o Brasil, com instalação entre abril de 2026 e dezembro de 2027. Essa expansão fortalecerá a cobertura observacional e ampliará a disponibilidade de dados em tempo real, contribuindo para a tomada de decisão em diversas áreas”, informou o instituto. (Com informações do portal O Globo)

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