Domingo, 01 de março de 2026
Por Redação O Sul | 10 de outubro de 2015
Entre julho e setembro, o Brasil amargou proporcionalmente entre os emergentes a maior redução no estoque de investimentos estrangeiros desde a crise global de 2008. A perda atingiu cerca de 30% do total.
Desta vez, a saída de capitais ficou mais concentrada nas aplicações de grandes fundos de pensão e de investidores institucionais. Eles representaram aproximadamente 75% de um total de 40 bilhões de dólares em perdas entre os emergentes no terceiro trimestre.
Segundo relatório do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), que reúne os maiores bancos do mundo, as perdas do Brasil foram proporcionalmente maiores em um ranking de 31 países. As da China, por exemplo, ficaram em torno de 25% (ver quadro). Com base nos valores altos das retiradas, os números do IIF sugerem a predominância da saída de fundos institucionais e de investidores de longo prazo de EUA, Europa e Japão.
Os fundos institucionais são normalmente os últimos a sair (e a voltar) em tempos de turbulência. A atuação deles no longo prazo geralmente busca mais segurança em aplicações para lastrear pensões de aposentados ou fundos de trabalhadores de grandes corporações.
Pelas regras de vários fundos, seu capital só pode permanecer em países que detenham o selo de bom pagador (grau de investimento) de ao menos duas agências de classificação de risco. Esse é o caso do Brasil, por enquanto.
O IIF também aponta o rápido crescimento do endividamento das empresas brasileiras e a valorização do dólar como motivos para a redução dos investimentos. Entre 2010 e 2015, as dívidas de empresas não-financeiras no país subiram do equivalente a 38% do PIB para 51%, segundo o IIF. O ritmo de crescimento só é menor que o da China e da Turquia.
Apenas a variação do dólar do final de 2014 para cá representou um aumento de mais de sete pontos percentuais no endividamento das companhias brasileiras. Nos últimos cinco anos, as dívidas em dólar dobraram, de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) para 15%.
Mas o Brasil preocupa também por conta da rápida valorização do dólar, de cerca de 70% nos últimos 12 meses, e por seu impacto sobre o endividamento empresarial. Na média dos emergentes, a alta da moeda norte-americana não passou de 30% nos últimos três anos, segundo o IIF. (Folhapress)
Os comentários estão desativados.