Sábado, 07 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 7 de fevereiro de 2026
Os desastres climáticos que atingiram o Brasil em 2025 causaram prejuízos de US$ 5,4 bilhões, cerca de R$ 28,3 bilhões, aponta relatório da Aon, corretora e consultora de riscos sediada no Reino Unido.
O número representa uma queda em relação a 2024, quando os eventos extremos no país provocaram danos de US$ 12 bilhões (R$ 62,8 bilhões na cotação atual), de acordo com a empresa. Naquele ano, o montante foi impulsionado pelas enchentes no Rio Grande do Sul, cujos estragos somaram US$ 5 bilhões.
Beatriz Protasio, CEO de resseguros para o Brasil na Aon, afirma que o Brasil saiu de um patamar histórico de baixo risco catastrófico para uma recorrência de perdas multibilionárias.
“O nível de prejuízo permanece acima das médias históricas do início do século, refletindo a maior frequência de eventos extremos e a vulnerabilidade da infraestrutura urbana e do setor agrícola”, diz.
A empresa calcula que as secas causaram danos de US$ 4,8 bilhões (R$ 25,1 bilhões) no último ano, 88% do total. Protasio aponta que a estiagem afetou principalmente as regiões Centro-Oeste e Sudeste, com impactos ao agronegócio, à geração de energia e ao abastecimento de água.
Tempestades geraram prejuízos de US$ 632 milhões (R$ 3,3 bilhões), ou 11% do registrado, aponta o relatório, e causaram perdas em residências, comércios e infraestruturas do Sudeste e do Sul.
Ao mesmo tempo, a análise diz que a contribuição das hidrelétricas para a geração nacional de eletricidade registrou o segundo menor valor da série histórica em agosto de 2025, com 48%, ante a média de 66%.
O documento também identifica prejuízos milionários com inundações concentradas no Sul, mas não oferece um valor exato dos danos. Protasio diz que ainda há desafios em obter dados precisos sobre esse tipo de fenômeno, devido às limitações das redes de medição e à subnotificação de eventos em áreas menos urbanizadas.
As estimativas consideram impactos à infraestrutura pública, às propriedades privadas e ao setor produtivo, além de interrupções da atividade econômica. A metodologia combina dados de fontes governamentais, seguradoras, resseguradoras, órgãos de defesa civil e modelagens de risco catastrófico, explica a CEO.
Para Protasio, o cenário reforça a urgência de uma agenda estruturada na gestão de riscos climáticos, com foco em prevenção, alertas antecipados, modelagens e mudanças culturais.
Cenário global
A Aon contabiliza 49 eventos extremos que geraram perdas econômicas na casa de bilhões de dólares em todo o planeta em 2025, superando a média de longo prazo (46). Quanto aos desastres com danos cobertos por seguros, a corretora registra 30 ocorrências, quase o dobro das 17 esperadas para o ano, indicando a “acumulação de catástrofes de médio porte cada vez mais frequentes”.
Ao todo, os prejuízos globais somaram US$ 260 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em 2025, ante US$ 397 bilhões (R$ 2 trilhões na cotação atual) de 2024, e o menor valor desde 2015, segundo o relatório.
Apesar disso, o ano teve desastres extensos, como os incêndios na Califórnia (EUA) em janeiro, que provocaram US$ 58 bilhões em perdas econômicas, além de US$ 41 bilhões em danos segurados, e se tornaram o evento mais caro já registrado no mundo, de acordo com o documento.
O furacão Melissa, que atingiu o Caribe em outubro de 2025, gerou prejuízo de US$ 11 bilhões, sendo US$ 9 bilhões apenas na Jamaica. Uma análise científica do grupo World Weather Attribution apontou que as mudanças climáticas ampliaram o poder destrutivo do fenômeno, com ventos 7% mais fortes do que o esperado em um mundo sem aquecimento global. Com informações da Folha de São Paulo.
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