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Mundo Brasil propõe caminho para financiamento climático chegar a US$ 1,3 trilhão

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Presidência brasileira da COP30 divulga seu último documento e diz que a meta pode ser alcançada até 2035 com recursos públicos, privados

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Presidência brasileira da COP30 divulga seu último documento e diz que meta pode ser alcançada até 2035 com recursos públicos, privados. (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)

A Presidência brasileira da COP30 divulgou neste domingo (8) o seu último documento, apresentando uma receita para que o mundo consiga levantar pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano (equivalente a cerca de R$ 7,1 trilhões por ano) até 2035 para enfrentar as mudanças climáticas.

O texto foi apresentado pelo presidente da COP30, embaixador André Aranha Corrêa do Lago, em Antália, na Turquia, na véspera da abertura da COP31 e no último dia oficial do Brasil à frente da conferência do clima da ONU (Organização das Nações Unidas).

O valor de US$ 1,3 trilhão é o que se estima que os países em desenvolvimento necessitam receber, todos os anos, para cortar suas emissões de gases do efeito estufa, trocar combustíveis fósseis por energia limpa e se proteger dos efeitos extremos do clima. Sem esse dinheiro, o mundo não conseguirá conter o aquecimento global e evitar seus piores impactos.

Com o título “Presidência da COP30: implementando o roteiro de Baku a Belém rumo a US$ 1,3 trilhão”, o documento diz que impedir que o mundo ultrapasse o limite de 1,5 °C de aquecimento médio, previsto no Acordo de Paris, “já deixou de ser um risco e virou uma premissa de planejamento”.

Chamado informalmente de “mapa do caminho do financiamento”, o documento elenca várias propostas. De toda forma, elas não precisam ser seguidas pelos países que vão participar da COP em Antália.

O próprio Corrêa do Lago escreve no texto que ele é de uma contribuição “não prescritiva, feita por iniciativa da Presidência brasileira para ajudar a transformar as decisões de Belém em ações concretas”.

O documento não foi negociado nem aprovado pelos países, mas o presidente da COP brasileira diz que espera que muitas nações o adotem de alguma forma.

Meta de US$ 1,3 trilhão para combater crise climática

A meta de chegar ao financiamento de US$ 1,3 trilhão já vinha sendo debatida há alguns anos e foi aprovada pelos países na COP30, em Belém, no ano passado. O que ninguém tinha mostrado ainda era como chegar lá.

A conclusão do documento, preparado pela equipe de Corrêa do Lago com a ajuda de vários economistas mundiais, é que a meta pode ser alcançada, mas não do jeito que as coisas estão atualmente, tendo em vista, por exemplo, uma diminuição recente no financiamento público pelos países mais ricos e com investimentos privados ainda tímidos.

Mantidas as tendências atuais, afirma o documento, o dinheiro enviado aos países em desenvolvimento seria de cerca de US$ 461 bilhões por ano (equivalente a cerca de R$ 2,5 bilhões por ano) em 2035. Ficariam faltando nada menos do US$ 840 bilhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões).

Para fechar essa conta, a Presidência brasileira da COP trabalhou ao longo de 2026 com especialistas e instituições de várias partes do mundo, entre eles um grupo independente de economistas de alto nível sobre financiamento climático.

Entre os colaboradores do documento estão o economista brasileiro José Alexandre Scheinkman, o britânico Nicholas Stern, a ganhadora do Nobel de Economia Esther Duflo e o francês Gabriel Zucman, conhecido por defender a taxação dos super-ricos.

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