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Economia Brasil sobe 3 posições em ranking de Investimento Estrangeiro no País

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Avanço, no entanto, se deve mais a problemas em outros países que por méritos brasileiros. (Foto: Reprodução/B3)

Ainda que menos por méritos próprios, o Brasil voltou a figurar na lista dos 20 destinos mais atrativos para o Investimento Direto no País (IDP) desenvolvido pela consultoria Kearney. Após cair para a 21ª posição em 2025, o país subiu dois degraus e voltou à 18º colocação, mesmo patamar registrado em 2024.

Entre emergentes, o país fica atrás apenas de China (quarto lugar), Emirados Árabes Unidos (nono) e Arábia Saudita (décimo). Também integram o top 25 México (19º), Tailândia (20º), Malásia (21º) e Índia (22º).

Para Marke Essle, sócio da Kearney no Brasil, o avanço do país se deu menos por mérito próprio e mais por movimentações das demais localidades. “O Brasil aparece melhor na foto com os demais, mas comparando contra ele mesmo a verdade é que não há muito a comemorar. Houve alguns avanços, como a reforma tributária, mas ainda é preciso fazer a lição de casa.”

Ele nota que o ranking da Kearney tem se movimentado cada vez mais em direção às nações da Asia e Pacífico e as que lideram a fronteira da tecnologia. “O meu ponto é: o Brasil surfou algumas das ondas das Últimas duas décadas, como a de commodities e a da China. Muita coisa melhorou. Mas o país pode perder a onda de tecnologia e inovação, mesmo tendo papel claro e específico.”

Além da questão fiscal e o baixo crescimento da produtividade, o país precisa trabalhar seu papel na transição energética e também na capacidade de extração e refino de terras raras, diz. Paralelamente, é preciso continuar desenvolvendo a cadeia de alimentos e a logistica para seu escoamento. Em todos esses casos, ha gargalos, aponta.

No caso dos minerais raros, o “drama” em relação ao seu desenvolvimento é o fato de que criar uma infraestrutura de refino é caro e demanda água e energia, além da complexidade do tratamento de rejeitos. “Fica difícil justificar um investimento desse quando se sabe que a China [que controla 85% da capacidade global de processamento] pode, a qualquer momento, jogar duro, baixar os preços para inviabilizar novas alternativas.”

Eventos como o embargo de terras raras por Pequim aos EUA e o conflito no estreito de Ormuz, por outro lado, deixam cada vez mais claro que as pressões geopolíticas também vão reorganizar as cadeias produtivas, diz o sócio da Kearney no Brasil.

“Nós acreditamos que o friendshoring vai ser cada vez mais importante. As empresas com que trabalhamos continuam se relacionando com a China, algumas até aumentando a participação naquele pais. Mas também buscam diversificação, não querem ficar a mercê de Pequim”, diz.

Metodologia

O indice é construído com base em entrevistas com executivos de empresas de 30 países e receita anual superior a US$ 500 milhões. O Brasil voltou ao ranking em 2024 após ficar fora dele no ano anterior. Sua melhor colocação foi entre o fim da década de 2000 e o começo da de 2010, quando chegou a ocupar o terceiro lugar geral.

As entrevistas foram realizadas em janeiro, o que significa que o estudo não reflete o início da guerra entre EUA e Israel contra o ira que afeta diretamente as perspectivas de dois dos emergentes à frente o Brasil, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Para Essle, no entanto, o efeito liquido do conflito para os dois países é incerto n momento.

“Para alguns, a incerteza na região vai fazer nota e o ranking deles baixar. Para outros, apenas os recursos necessários à reconstrução da capacidade destruida até o momento vão gerar todo um novo boom de investimentos.”

Mesmo que avaliação das nações árabes caia, é incerto se movimento seria suficiente para o Brasil ultrapassá-las, acrescenta. Em um sistema que avalia, entre outros fatores, a facilidade de fazer negócios, qualidade da infraestrutura, inovação tecnológica, transparência do governo e performance econômica, a pontuação brasileira este ano foi de 1,7561, ben distante da dos emiradenses (1,9678) e dos sauditas (1,9665). respectivamente.

Topo do ranking

Os Estados Unidos se mantêm no primeiro lugar do ranking geral, seguidos pelo Canadá e pelo Japão. Os executivos entrevistados para o estudo avaliam que as capacidades tecnológicas e de inovação são os fatores mais importantes ao determinar o destino do IDP, na esteira do crescimento da importância de temas como inteligência artificial e infraestrutura digital.

Além disso, eles dão cada vez mais relevância para as políticas industriais de cada país – 84% dos entrevistados afirmaram que o terma é “extremamente” ou “muito” importante na decisão de investimento e 57% acreditam que a politica industrial teve impacto positivo no desempenho de seu negócio. (Com informações do Valor Econômico)

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