Quinta-feira, 05 de março de 2026
Por Redação O Sul | 4 de março de 2026
Uma em cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos diz ter sido vítima de exploração ou abuso sexual com uso de tecnologia no Brasil. O índice de 19% corresponde a cerca de 3 milhões de meninas e meninos atingidos em um período de 12 meses. A informação é de um estudo do Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, divulgado nessa quarta-feira (4).
Foram ouvidas mais de mil crianças e adolescentes, e também mil responsáveis, em todo o país, além de profissionais do sistema de Justiça e vítimas que enfrentaram esse tipo de violência quando eram menores de idade.
Realizado entre novembro de 2024 e março do ano passado, o estudo “Enfrentando Violências no Brasil: evidências sobre exploração e abuso sexual infantil facilitadas pela tecnologia” mostra que a maior parte dos abusos acontece por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos online. O Instagram e o WhatsApp aparecem como os principais ambientes usados pelos agressores.
Entre as situações mais comuns, quase metade dos casos, 49%, foi cometida por alguém conhecido da vítima. A especialista em proteção à criança do Unicef no Brasil, Luiza Teixeira, avalia que o fato de uma parte importante dos ataques partir de pessoas conhecidas se deve à relação de confiança que o agressor estabelece com a vítima.
“Pra fazer esse contato inicial, conhecer a vítima ajuda nessa conexão inicial. Pessoa acha o perfil de uma criança que conhece na rede social. Muitas vezes esse perfil é fechado, a pessoa faz o pedido pra conectar e aí começa essa interação a partir daí. Isso é algo que a gente presume, mas a gente sabe que nessas interações é muito mais provável a criança aceitar a solicitação de alguém que ela saiba quem é, do que de um estranho completo”.
O relatório apurou também que 34% das vítimas esconderam a agressão. Entre os motivos estão desconhecimento sobre onde buscar ajuda, constrangimento, vergonha e medo de não serem acreditadas.
O Unicef também chama atenção para um fenômeno recente: 3% das vítimas relataram que tiveram imagens ou vídeos sexualizados criados com inteligência artificial, usando a própria aparência.
Alguns dos efeitos são o fato de crianças e adolescentes enfrentarem culpa, altos índices de ansiedade, automutilação e até pensamentos ou tentativas de suicídio. As informações são da Agência Brasil.
Você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!