Domingo, 21 de junho de 2026

Porto Alegre

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Mundo Brasileira deportada da Nicarágua afirma: ‘fui detida por 30 horas’

Compartilhe esta notícia:

Manifestante escreve "fora Daniel", em referência ao presidente Daniel Ortega, em muro de Granada: brasileira se encaminhava para cidade quando foi detida. (Foto: Reprodução)

A documentarista brasileira Emilia Mello, detida e deportada da Nicarágua quando se encaminhava para acompanhar um protesto contra o presidente Daniel Ortega na cidade de Granada, afirmou que ficou detida durante 30 horas antes de finalmente ser conduzida pelas autoridades até um voo para fora do país.

Levada pela polícia junto com estudantes e ativistas da CUDJ (Coordenadoria Universitária pela Democracia e a Justiça), atuante nos protestos contra o governo — que já resultaram em mais de 300 mortos desde seu início, em abril —, Emilia foi deportada sob a alegação de que entrou no país com visto de turista, mas exercia atividade jornalística. Ela foi levada para El Salvador e de lá rumou para a Cidade do México. De lá, iria para Nova York (EUA).

“Acabei de chegar em CDMX (Cidade do México). Fui deportada depois de estar em detenção por mais de 30 horas. Estou sem telefone e sem nada”, afirmou ela por um aplicativo de mensagens nas primeiras horas desta segunda-feira (27)

De acordo com o brasileiro Paulo Abrão, secretário executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Emilia relatou que foi alvo de maus tratos, tendo sofrido um “longo interrogatório” das autoridades nicaraguenses.

“A brasileira-estadunidense Emilia Mello relata que sofreu um longo interrogatório e maus tratos psicológicos de parte das autoridades na Nicarágua. Ela foi deportada ontem [domingo, 26] à tarde em um voo que saiu para El Salvador. Seguiu para a Cidade do México e hoje [segunda, 27] irá para Nova York”, afirmou ele no Twitter nesta segunda-feira. Ainda segundo Abrão, os produtores das filmagens que Emilia Mello fazia na Nicarágua estão baseados na cidade americana.

Emilia, que segundo sua página no Facebook estudou na Universidade do Sul da Califórnia, tem dupla cidadania, brasileira e americana, e entrou na Nicarágua com o passaporte dos EUA.

A CUDJ informou pelo Twitter que a prisão aconteceu no sábado (25), no cruzamento Jinotepe-Carazo, a caminho da cidade de Granada, onde ocorreriam manifestações pela libertação de presos políticos. Os policiais apreenderam as câmeras e os telefones celulares das 20 pessoas do grupo — todas elas, menos a documentarista, nicaraguenses. Com exceção de Emilia, que ficou detida na Direção Geral de Migração e Estrangeiros, o restante das pessoas foi liberado em seguida, após processos de identificação.

“Desde a manhã do sábado, por conta da convocação para os protestos, era grande o número de policiais ao redor das cidades onde haveria marchas. Era comum que as autoridades fizessem blitzes para exigir identificação das pessoas que passavam e apontar aqueles mais sensíveis aos olhos do governo, caso dos membros da CUDJ. Assim, todos eles foram detidos e, quando soltos, soubemos que ela (Emilia) tinha sido retida e encaminhada para deportação”, afirmou Paulo Abrão.

A ANC (Associação Nicaraguense de Cinema) lamentou nesta segunda-feira a detenção de Emilia, afirmando que Mello e a cineasta nicaraguense Arielka Juarez, detida junto com dela, “estavam documentando a atividade, não sendo parte dela e, como o resto dos presos, não tinham nenhuma arma ou intenção de realizar delitos ou atos violentos”.

Sem entrar em detalhes, Juarez afirmou ao jornal nicaraguense “La Prensa” que ela e a documentarista brasileira realizavam um projeto juntas há um mês. Ronny Cajina, outro documentarista detido no mesmo grupo de Emilia, detalhou a ação.

“Nos detiveram em San Marcos e nos levaram para a delegacia em Jinotepe. Vimos Mello quando nos liberaram, dizendo que podíamos ir, mas que ela iria para a Migração. Depois disso, não soubemos mais nada”, afirmou ele ao “La Prensa”.

Cajina e Juarez faziam parte da equipe de Emilia nas filmagens que realizavam na Nicarágua. Desde a detenção, os dois tem preferido se manter longe das ruas, com receio de algum tipo de repressão.

De acordo com o comunicado da ANC, a detenção de Emilia e dos outros documentaristas do grupo representa um risco para o futuro.

Os protestos contra Ortega, responsáveis pela escalada de violência que resultou na morte da brasileira Raynéia Gabrielle Lima em julho, começaram em abril contra uma proposta de reforma da Previdência Social promovida pelo governo. Após forte repressão policial e paramilitar, os manifestantes passaram a pedir a renúncia do presidente. Segundo a CIDH, 322 pessoas já morreram no desdobramento dos atos violentos no país.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Mundo

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

O governo federal estuda medidas para “facilitar” o crédito, disse o ministro do Planejamento
PSDB e DEM condenam tentativa de adiar julgamento no TSE
Pode te interessar