Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de março de 2016
O brasileiro Luis Carlos Giampaoli, 44 anos, que foi detido ao entrar totalmente nu na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no dia 4 de janeiro deste ano, voltou para o Brasil e está morando na residência da sua irmã, em Laranjal Paulista (SP). Giampaoli ficou internado durante um mês em um hospital psiquiátrico na Itália após ser detido pelos seguranças. Ele afirmou que não se arrepende do que fez e ficou sem roupa para protestar contra a falta de solidariedade em Roma.
Contestação contra falta de caridade dos italianos.
“Eu não me arrependo do que fiz. Fui para a Itália para poder arrumar um trabalho, pois estava desempregado no Brasil. Sou técnico de enfermagem, já trabalhei com gastronomia e, como consegui cidadania italiana, achei que minha vida mudaria em Roma. Aluguei meu apartamento em São Paulo e fui para Itália. Porém, não tinha muito dinheiro e esperava ficar em um albergue. Mas, quando fui pedir ajuda, me falaram que não tinha vaga. Ninguém me ajudou e cheguei a ficar na rua por dias. Foi então que resolvi fazer uma manifestação no Vaticano contra a falta de caridade, pois o albergue que queria ficar é ligado ao Vaticano”, afirma.
Emoção após o protesto.
De acordo com Luiz, a ato foi justamente chamar a atenção das autoridades e planejou dias antes como seria a manifestação na Basílica de São Pedro. “Eu quis protestar para mostrar que estava limpo de coração e só queria ajuda. Como já havia feito uma peça de teatro em que ficava nu no palco, pensei em protestar dessa maneira para chamar a atenção. Me escondi em uma cortina, onde tirei a calça e a camiseta. Fiquei apenas de tênis e a mochila. Em seguida, caminhei pela Basílica de São Pedro e gritei que não há solidariedade em Roma. Após o protesto, me emocionei e comecei a chorar. Eu me despi com alegria no coração”, afirma.
Giampaoli destaca que, após ser detido pelos seguranças, um médico que estava pela Basílica afirmou que ele teria de ir para um hospital receber atendimento. “Foi então que me levaram para um hospital psiquiátrico. Fui muito bem atendido, medicado e aconselhado pelos funcionários e assistentes sociais. Eu estava desesperado para ter ajuda. O tempo que fiquei lá foi bom. Depois de receber alta, eles ainda me deram assistência e acabei ficando no albergue, o mesmo que queria ficar quando cheguei”, conta.
Sem deportação.
Ele ainda afirmou que a volta ao Brasil não foi por deportação, isto é, por obrigação. Ele foi convidado a sair do país. “Eu não fui deportado e nem extraditado, fui convidado a sair do país. Tanto é que meu irmão quem comprou a passagem de volta e cheguei no dia 25 de fevereiro. Como meu apartamento em São Paulo está alugado, vim para a casa da minha irmã em Laranjal Paulista. Mas, continuo tendo minha cidadania italiana”, diz.
Reingresso no mercado de trabalho.
Agora, o desejo do brasileiro é poder se recolocar no mercado de trabalho. “Estou sem dinheiro e precisando de ajuda financeira. Minha irmã está desempregada também e não temos nem fogão em casa. Sem contar que preciso comprar medicamentos para a depressão que foram transcritos pelos médicos italianos. O que eu mais quero é poder arrumar um emprego e sair dessa situação”, afirma.
Questionado se quer voltar para a Itália no futuro, Luis afirmou que sim. “Se eu tiver uma oportunidade, por que não? O que aconteceu ficou como experiência e sou grato pela minha família e amigos que me compreenderam e ajudaram. Serviu para ver que na Itália há muita gente sem ajuda e desempregada. Como falei no protesto, falta solidariedade em Roma. Mas, se tiver uma oportunidade de trabalho ou até para passear, eu vou sim.”
Os comentários estão desativados.